Em 2015 o município do Lobito e o país foi atingido por uma tragédia que ficará na historia dos angolanos. Pelo menos 72 pessoas morreram, muitas casas foram demolidas e muitas outras estruturas sofreram danos, fruto das enxurradas que se abateram naquela cidade no dia 11 de Março. A população de todos os cantos do país mostrou a sua solidariedade material e psicológica para com as famílias que perderam as suas casas e principalmente para com as que perderam entes queridos. O governo central disponibilizou um valor na quantia de AKZ 100 milhões para o governo provincial poder criar novas condições para aquelas famílias.

Foi igualmente organizado, por iniciativa do Governo, um local para alojar as famílias que perderam as suas casas.

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Algumas já lá se encontram, mas até ao momento mais de 62 famílias ainda não foram atendidas e desesperadamente aguardam que se lhes seja indicado a sua tenda, e deixem de depender dos vizinhos e familiares. No entanto devido à demora, muitas pessoas estão a entrar em desespero e estão a reabilitar as suas antigas casas que foram demolidas pelas chuvas.

"Já falamos com os nossos sobas, já fomos até ao local, já andamos e andamos mas até ao momento nada foi resolvido, então decidimos reconstruir as nossas casas que já foram vitimas de demolições, porque não estamos a ver outra saída, e estamos cansados de andar atrás das pessoas, e estas por sua vez só nos mandam acalmar, mas o tempo passa e as pessoas que nos acolheram estão a ficar cansadas", declarou o chefe de uma família.

Para além da situação acima descrita, à época dos acontecimentos o Governo decidiu retirar todas as pessoas que moram em zonas de risco, o que está a causar muita preocupação às famílias que receberam a marcação com tinta em suas casas.

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"Vieram aqui, meteram um X vermelho e nos falaram que a nossa casa será demolida, e vão nos meter em outro local mais seguro. Mas desde que sinalizaram as nossas casas, a chuva sessou e nunca mais vimos ninguém" disse um morador.

Outro morador deixa ainda a questão: "se os que perderam as suas casas e estão a ser realojados nas tendas, ainda não viram resolvida a sua situação, quando é que vão resolver a situação das mais de 1000 famílias? Os fiscais disseram que dentro em breve nos vão mostrar o novo local. Este 'daqui a pouco' é para quando?"

Numa visita que o governador da província realizou no passado dia 12 de Maio, que se iniciou nos armazéns onde estão depositados os bens doados, seguindo pelo local onde as famílias estão alojadas e terminando no local onde vão construir as novas casas, o mesmo deixou bem claro que o processo de desalojamento das famílias que vivem em zonas de risco será demorado. A razão é que o Governo ainda está preocupado com as casas das famílias que se encontram nas tendas e outras em casas de seus familiares e amigos.

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Segundo o governador, ainda não se tem a certeza: 1 - Se as empresas que estão a fazer as bases para a construção das casas é que vão levantar as paredes das mesmas ; 2- Se é a população quem vai construir com os materiais que lhes foram doados; ou ainda 3- se o governo vai entrar em negociações com as empresas que estão a trabalhar no local, no sentido de usarem o matéria que o governo tem disponível e diminuírem a mão-de-obra. O governador disse ainda que já não tem poderes suficientes para decidir a melhor maneira, e já enviou um documento aos seus superiores, pedindo orientações. #Política Internacional