Rui Vitória assinou, foi apresentado e partiu para férias, deixando promessas de empenho em prol do "seu" #Benfica. Depois do choque com a saída de Jorge Jesus para o Sporting e da forte reacção à "traição" do antigo treinador, os benfiquistas procuram conhecer o novo responsável pela sua equipa. A tradicional aversão à mudança e a tendência, tão portuguesa, para o fatalismo levam alguns a afirmar pessimismo. No entanto, parece haver razões para acreditar que Rui Vitória tem condições para o sucesso.

Não esconde que é benfiquista, é-lhe reconhecida essa faceta, mas isso, por si só, não é mais-valia e a sua vantagem estará na capacidade para motivar os adeptos a apoiá-lo.

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Conhecendo o que é ser benfiquista chegará mais facilmente às suas emoções, sem soar a falso, mantendo a onda criada pelos recentes sucessos. Também junto dos jogadores, nomeadamente dos que vêm de outras paragens, será vantajoso ter um treinador que lhes possa transmitir a famosa "mística" do Benfica. O impacto da mensagem passada por quem sente o clube será, certamente, maior e mais fácil de seguir por todos.

As suas primeiras palavras caíram bem e o "dar a vida" pelo Benfica passou a ser motivo de muitos comentários nas redes sociais. A importância do apoio dos adeptos é inegável e Rui Vitória estará a salvo da maior crítica que foi apontada ao seu antecessor quando os resultados eram negativos: ser sportinguista.

Rui Vitória não foi um famoso jogador, não teve acesso às facilidades que isso acarreta e teve de fazer um percurso difícil para chegar a esta invejável posição, tendo de subir a "pulso".

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Com passagens por clubes de menor dimensão enquanto jogador, iniciou a carreira de treinador no Vilafranquense, em 2002, e teve o primeiro contacto com o Benfica em 2004, na equipa de juniores. Dois anos depois foi para o Fátima e, em quatro anos, deu nas vistas ao conquistar o Campeonato da Segunda Divisão e, principalmente, ao eliminar o FC Porto e criar grandes dificuldades ao Sporting na Taça da Liga de 2007-08.

Em 2010 estreou-se na I Liga, no Paços de Ferreira, e o sétimo lugar e a final da Taça da Liga (perdida para o Benfica), valeram-lhe o salto para o Vitória de Guimarães. Quatro anos na liderança dos vimaranenses reforçaram-lhe o prestígio com a Taça de Portugal de 2012-13 (ganha ao Benfica) e várias qualificações europeias, numa das fases mais difíceis do clube, assolado por graves dificuldades financeiras. Profundo conhecedor do #Futebol português, de ponta a ponta, não corre o risco de ser surpreendido como aconteceu com Lopetegui, por exemplo.

Antes e depois de ser confirmado como treinador do Benfica, várias foram as opiniões elogiosas de jogadores, dirigentes, treinadores e comentadores acerca das capacidades técnicas, tácticas e de liderança de Rui Vitória.

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O reconhecimento de tantos intervenientes ligados ao futebol indicia que está preparado para o desafio. Ao mesmo tempo que o percurso ascensional e a estabilidade na relação com os clubes sugere boa capacidade de integração nos projectos que assume. Numa altura em que a aposta na formação é o caminho indicado por Luís Filipe Vieira, poderá comprovar as suas capacidades na descoberta e desenvolvimento de jovens talentos beneficiando da qualidade dos jovens que vêm evoluindo no Seixal, sem que isso seja uma obrigação absoluta.

O presidente prometeu dar-lhe todas as condições, os adeptos exigem resultados e Rui Vitória apresenta predicados, pelo que se espera um Benfica pronto a lutar por novos títulos.