Esta quarta-feira, dia 10 de Junho, passou no Jornal da Noite, a Grande Reportagem SIC "No tempo das cesarianas (porque se fazem tantas em Portugal?)", na qual se debateu o porquê de uma tão elevada taxa de cesarianas no nosso país (sobretudo nos últimos anos). É um facto: Portugal tem a 3ª taxa mais elevada da Europa, distanciando-se dos 15% estipulados pela Organização Mundial de Saúde, com 66% de partos por cesariana em hospitais privados e, apesar de reduzidas, 30% nos hospitais públicos.

Estes números não deixam de ser alarmantes, sobretudo sabendo que os próprios médicos, regra geral, desaconselham esta cirurgia sem que existam factores de risco.

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Isto porque os riscos de uma cesariana são, em todos os aspectos, muito mais elevados quer para a mãe, quer para o bebé. Tal como afirma Diogo Ayres de Campos, obstetra, professor na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto: "A forma mais segura de nascer é de parto normal" (in Visão).

Assim sendo, que motivos há para que se façam tantas cesarianas? A remuneração dos médicos? A escolha das mães? As respostas a estas perguntas são muito dúbias para que haja qualquer certeza em concreto. Para todos os efeitos, a cesariana é uma cirurgia, uma técnica desenvolvida pelo Homem, que acarreta muitas vezes riscos desnecessários, apesar de ser muito rápida; já um parto normal é o processo biológico e natural da vida, por vezes demorado, mas que não deve ser apressado, excepto em circunstâncias extremas que obriguem a uma intervenção.

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Outro aspecto importante prende-se com a informação dada à futura mãe, para que esta possa eventualmente tomar uma decisão sem ser coagida. Muitas escolhem a cesariana por medo da dor do parto, mas noutros casos por falta de conhecimento ou porque não lhes é dado a escolher.

Baseando-me naquilo que conheço sobre esta matéria, e apesar da inexperiência, acredito que apenas se deve recorrer à cesariana em situações em que o bebé e a mãe estiverem em sofrimento ou risco de vida, se o bebé não tiver dado a volta, se houver incompatibilidade entre a dimensão da cabeça do bebé e a pélvis da mãe; caso contrário, tem muito mais lógica deixar que o parto decorra normalmente, independentemente do tempo que demore. Porém, há que batalhar para que estas percentagens se atenuem, o que ainda vai levar tempo, por muito boa vontade que tenham os profissionais médicos desta área e mesmo com as medidas que o Governo possa tomar para deter este acontecimento. #Casos Médicos