Os gregos adoravam e temiam os seus deuses. Ao longo dos tempos, o manto da democracia estendeu-se sobre todo o território europeu, tornando o Monte Olimpo demasiado pequeno. Zeus juntou-se a Júpiter, a Odin, a Toutatis e a Perun, repartindo-se com os seus pares por Bruxelas, Frankfurt, Estrasburgo e Washington, para governarem godos, saxões, gauleses, iberos, romanos, vikings e eslavos. Durante algum tempo, os povos europeus e os seus deuses pouco falaram entre si. Por vezes até se esqueceram uns dos outros. Havia regras definidas pelas divindades, a cumprir pelos primeiros, e havia a protecção divina, prometida pelos segundos.

Hoje, não se sabe quem falhou primeiro.

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Ou se as falhas de parte a parte ocorreram em simultâneo. Talvez os deuses tenham estado tão distraídos com o avolumar dos seus adoradores que lhes passou despercebida a transformação dos espartanos em epicuristas. Ou talvez as regras que definiram não possam ser cumpridas por povos tão diferentes. O que é certo é que os deuses e os gregos se encontram, agora, em discórdia.

Hoje, os deuses iram-se perante a recusa dos gregos em se submeter à sua vontade. Gemónias e promessas de punição são lançadas dos céus, todas as semanas, à Acrópole. Os gregos, por sua vez, revoltam-se contra a arrogância e a prepotência divinas e ameaçam acordos com titãs: o urso russo e o panda, vindo da China.

Os gregos só têm duas alternativas: aceitam o castigo dos deuses ou submetem-se aos titãs. O castigo anunciado deixá-los-á, durante muito tempo, em terreno árido, sem água, perante uma longa caminhada até à terra prometida.

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Mas terão, depois, a benevolência divina que pretendem. Ajoelhando-se perante os titãs, poderão por agora respirar, alimentar-se e saciar alguma sede, mas ficarão, sem dúvida, condenados a décadas de servidão sob nuvens negras e noites gélidas.

Os deuses estão também num dilema: se perdoam os gregos, os saxões deixarão definitivamente o culto aos senhores celestes (criando um deus próprio, o que não seria uma estreia) e os restantes povos europeus poderão perder-se pelos vícios e pecados terrenos, numa existência desidiosa, certos que, quando chegar o dia, serão igualmente perdoados; se expulsam ou deixam à sua sorte os helénicos, as divindades serão adoradas por menos população, ficando esta mais fragilizada perante o constante número de abutres que sobrevoam, todos os dias, todo o continente. Esta cisão será também muito perigosa devido à ainda maior aproximação dos ursos russo e chinês.

A expulsão dos gregos não pode suceder. A única solução viável será encontrar uma punição suficientemente leve para ser aceite pelos gregos, suficientemente pesada para que os restantes povos receiem pecar e suficientemente forte para satisfazer os deuses e para assustar os ursos titãs. É um acordo difícil. É, sem dúvida, um trabalho hercúleo. Por anda o semi-deus Hércules? #Política Internacional