Após dois anos de contenção, em seguimento de uma grave crise financeira que levou à renegociação da dívida do clube à banca e à intervenção da UEFA devido ao incumprimento das regras do fair play financeiro, Bruno de Carvalho consegue contratar o antigo treinador benfiquista, acenando-lhe com um contrato milionário para os próximos três anos. Tal investimento avultado levanta desde já algumas questões que a SAD sportinguista ainda não respondeu e que somente nas próximas semanas poderão ser esclarecidas.Apesar da sua costela sportinguista assumida, Jorge Jesus não é um técnico barato. Sendo-lhe oferecido um salário superior ao que auferia no rival #Benfica, o aspeto desportivo também terá certamente tido peso no momento da aceitar este novo contrato, uma vez que nestes últimos 6 anos, sempre teve à sua disposição grandes plantéis, que implicaram um grande investimento por parte dos seus antigos patrões.

Publicidade
Publicidade

Daí não se estranhar que a imprensa comece a avançar com grandes nomes de possíveis reforços do #Sporting, entre eles os nomes de Maxi Pereira, Cardozo e Fábio Coentrão. E é precisamente neste ponto que a estratégia de Bruno de Carvalho parece ser arriscada. É público que o plantel do Sporting tem um teto salarial inferior ao dos seus principais rivais, Benfica e FC Porto. Caso se concretizem estas aquisições, ou de outros nomes sonantes, não é crível que estes jogadores aceitem jogar pelo valor máximo de salário que o atual Sporting paga aos seus atletas, pelo que esse teto teria de ser revisto ou ser aberto a algumas exceções.

E caso isto aconteça, que vai acontecer a jogadores importantes do plantel, como Rui Patrício, William Carvalho, Adrien ou Slimani? Aceitarão eles ver chegar jogadores que, não tendo o seu peso e historial no clube, venham ter melhores condições que eles? Eles que se sacrificaram ao verem recusadas pelo Sporting ofertas financeiramente mais atrativas para prosseguirem as suas carreiras, poderão ver-se "ultrapassados".

Publicidade

Veremos, durante o defeso como irá Bruno de Carvalho gerir esta situação, ele que anunciou, em entrevista ao canal de televisão do clube, a não necessidade do Sporting abrir mão dos seus principais ativos.

Um outro aspeto a ter em conta neste novo Sporting vai ser ver até que ponto a aposta em jogadores da Academia é para continuar. Sendo política do clube há já vários anos, os leões vêm chegar um treinador que, nos últimos anos, não fez da aposta da prata da casa a sua política, vendo inclusivamente sair do Benfica alguns jovens cujos futuros parecem promissores mas que nunca foram alvo de uma aposta séria por parte do antigo técnico encarnado.

Por fim, há ainda a questão do despedimento do ex-técnico Marco Silva. Muito acarinhado pelos adeptos leoninos, que lhe reconhecem o bom trabalho que desenvolveu, a sua saída veio provocar uma divisão na família sportinguista, descontente com este desfecho, apesar da grande reputação e qualidade do seu sucessor.

Resta ainda saber de onde vem este dinheiro que possibilita todo este cenário.

Publicidade

Especula-se que por detrás de toda esta operação estão investidores de Angola e da Guiné-Equatorial, facto prontamente desmentido pela SAD sportinguista. A próxima época vai revelar-se fundamental para a presidência de Bruno de Carvalho. As vitórias e a conquista do título nacional tornar-lo-á em herói, mas, caso falhe o título, o seu futuro como presidente poderá não ser tão risonho.