O problema ideológico em que o governo grego teima em não ceder, perante uma Europa comunitária refém do capitalismo e nos mercados financeiros, levará a Grécia a uma rutura com os seus parceiros europeus. Os estados membros que tiveram programas de assistência financeira não veem com bons olhos o perdão da dívida grega, que, no fundo, é a grande estratégia que quer seguir, de forma camuflada, o governo grego. A Grécia não irá mudar a Europa comunitária, nem tem poder económico para o fazer. Não basta ter boas ideias para o país, é preciso que sejam elegíveis. Deixar a sorte da população grega nas mãos de uns homens, bem formados, verdade se diga, mas sem soluções viáveis para o país, não vai trazer bons ventos.

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Os países membros da união europeia começam a ficar fartos da telenovela grega. Não é bom para a Europa, nem para a Grécia que se continue neste impasse de luta ideológica. A Europa já teve uma má experiência com os métodos socialistas de extrema-esquerda e não quer repetir tais experiências. A Grécia entrando num colapso financeiro certamente irá sofrer convulsões sociais. O povo grego, por seu turno, irá revoltar-se contra quem elegeu para governar o país, e que das suas promessas eleitorais não quer sair. Acredito que seja uma questão de princípios, mas inteligentemente haveria formas de contornar e resolver de forma diferente os problemas do país.

Na minha modesta opinião, resta ao governo grego devolver ao seu eleitorado um novo voto de confiança, para que realmente seja dita a verdade da condição económica grega.

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Nunca será possível numa Europa comunitária, como está constituída, termos um país com ideais marxistas, pois seria contra o modelo europeu. Os mercados financeiros neste momento lideram as políticas económicas, e seria muito improvável que tudo se modificasse só porque um país, sem condições para debater-se com os grandes grupos financeiros, quisesse transformar toda uma Europa. Neste braço de ferro helénico prevalece uma certa utopia social que no mundo contemporâneo já deu provas de não ser viável. #Política Internacional