São no total 90 famílias, que há mais de 60 anos ocupam uma porção de terra, localizada na zona alta do Lobito, no bairro Golfe, próximo dos novos condomínios da empresa Sonangol. A área em conflito tem aproximadamente 20 hectares. Segundo a senhora Donana Mário, de 60 anos de idade, que quando pequena ia com os seus pais no cultivo daquelas terras, tudo começou quando entraram em contacto com um senhor com o nome de Mateus Catchama, que se disponibilizou em ajudar aquelas pessoas a tratarem os documentos de legalização, e este por sua vez, entrou em contacto com outro senhor, de nome Zezito Garcia, informando que tinha um terreno dos seus pais.

Depois de um mês, o senhor Zezito, entrou em contacto com as pessoas informando que os documentos de legalização já haviam saído, mas para que caíssem rapidamente em suas mãos, os donos dos terrenos tinham que oferecer-lhe urgentemente dois porcos, cabrito e peixe para ofertarem ao governador, que estava responsável pela legalização do terreno.

Dias depois, o senhor Zezito apareceu diante das famílias acompanhado com a sua esposa, informando que iriam ser vizinhos da senhora Nádia Furtado. Quando as famílias questionaram sobre o aparecimento da senhora Nádia, ele informou que o terreno pertencia à senhora, o que deixou as famílias mais preocupadas, visto que nunca viram tal senhora e não sabiam quem era. Mais tarde aperceberam-se que os dois senhores forneceram aquelas terras à senhora.

Inquietas com as novas informações vindas do senhor Zezito, no qual depositaram a sua confiança, as famílias continuaram a lutar para adquirirem os títulos de propriedade dos seus terrenos, remetendo os documentos para a administração municipal, que lhes indicou para aguardar.

Em Fevereiro deste ano, apareceram algumas pessoas no local, acompanhadas de alguns agentes da policia, e tentaram fazer medições no espaço, mas a população não admitiu tal ação e expulsou-os de lá. Após uma reunião com os sobas e o pessoal envolvido, chegou-se à conclusão que aquela área pertence as 90 famílias.

O poder da influência fez com que fossem chamados algumas vezes a responderem na polícia, e por esse motivo já foram sido espancados pela própria policia. Atualmente, as famílias estão a ser ameaçadas de morte caso não saiam daquele local. As famílias questionam se foi mesmo o governador quem pediu aqueles animais para acelerar o processo dos documentos de legalização ou então só foi mais uma fachada dos senhores que lhes estão a burlar juntamente com a senhora Nádia Furtado.

A senhora Nádia Furtado nega sair daquele local, por ter documentos assinados pelo governador, e disse às famílias que podem recorrer aonde quiserem pois não conseguirão nada. Nádia Furtado é funcionária da administração municipal do Lobito, filha de procuradora adjunta, sobrinha de generais e familiar de altas patentes do governo Angolano, enquanto as famílias são apenas pessoas descendentes daqueles que lutaram pela liberdade de Angola e não viram mais nada para além daquelas terras que deixaram aos seus filhos e netos como herança.

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