A transferência de Maxi Pereira do SL Benfica para o FC Porto tem sido tratada, entre a generalidade da imprensa e especialmente das redes sociais e nas conversas de café sobre futebol, como uma traição de um jogador ao clube. Já bastava a saída de Jorge Jesus directamente de Benfica para Sporting; agora, um jogador encarnado, um dos históricos do plantel actual, ruma ao principal adversário. O tom das principais notícias deixa transparecer precisamente este carácter de traição. Mas como se pode classificar esta reacção desmesurada dos benfiquistas, desde os adeptos anónimos aos que se dão ao trabalho de escrever cartas abertas a Maxi Pereira?

Vejamos a situação. Um futebolista joga 8 anos num clube. Com grandes resultados. A equipa técnica adora-o. Os adeptos adoram-no. Chamam-lhe mito e símbolo, dizem que falarão dele aos netos. Porém, o clube não lhe quer aumentar o salário. Porquê, se ele é assim tão valioso? É com os cânticos e as "pancadinhas nas costas" que se reconhece o valor? O #Benfica não lhe aumentou o salário porque só pensou... em dinheiro, claro!

Naturalmente que o clube está no seu direito. Se a direcção entende que é necessário, por questões de gestão financeira, limitar investimentos e gastos, deve ser esse o caminho a seguir. Todavia, é descabido pensar que o jogador só pensa em dinheiro enquanto o clube, de forma santa e honesta, foi agora prejudicado na sua honra e no seu orgulho. Entretanto, chega outro clube que reconhece os méritos e propõe-lhe aumentar o salário que ele merece, pelo trabalho que desenvolveu. E é o jogador que é mercenário?

O grande "problema" de Maxi Pereira foi não ter rendido aos cofres do SL Benfica os milhões que se poderiam esperar de uma transferência milionária, como tantas outras que têm alimentando as finanças dos três maiores clubes portugueses ao longo dos últimos anos - especialmente agora que o futebol se tornou mais globalizado. Houvesse essa hipótese de fazer dinheiro e o Benfica não teria hesitado em enviar o seu símbolo para longe.

Um conselho aos futebolistas: livrem-se de permanecer demasiado tempo num clube. Senão, o clube passa a achar que é vosso "dono" e insulta-vos se quiserem negociar o salário. Façam como Axel Witsel, David Luiz, Fábio Coentrão e outros ex-jogadores do SL Benfica que, como além de garantirem um salário mais alto também garantiram um excelente negócio para o clube, hoje são adorados e respeitados pela sua massa associativa.  #F.C.Porto #Mercado de Transferências