O consórcio que ganhou a compra da TAP tem como principal acionista o Grupo Barraqueiro, com 50,1% do capital investido. O montante total do negócio situa-se nos 10 milhões de euros, pelo que o grupo em questão tem a seu cargo, no investimento, pouco mais de 5 milhões de euros. Apesar do negócio ser vergonhoso para o país e digno de despedimento de um qualquer gestor que o fizesse no sector privado, os favorecimentos ao Grupo Barraqueiro não se ficam por aqui. A Fertagus, pertencente ao Grupo Barraqueiro, não liquida as taxas de circulação devidas à REFER desde 2012 e o valor em dívida pode ascender a 6 milhões de euros. Mais curioso é o facto do #Governo português se recusar a prestar declarações sobre esta situação na Assembleia da República, desde 2013.

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Recentemente foi anunciado que o governo e a Fertagus estariam a renegociar a Parceria Público-Privada (PPP), que mais não tem sido do que uma linha de transmissão de recursos públicos para o Grupo Barraqueiro. O grupo privado em questão indica que as taxas praticadas são bastante altas e que o aumento registado nas mesmas em 2012 deve ser assumido pelo estado português. O caso ganha contornos surreais após o governo impor à CP, em Março do corrente ano, que liquidasse todo o montante em dívida à REFER desde 2012 e que a empresa pública em questão já liquidou.

No entanto, os valores em falta que a empresa privada se recusa a pagar até ao dia de hoje, estão, segundo o governo, em análise para possível perdão fiscal por parte dos organismos competentes. Ora, estamos perante mais uma dualidade de critérios ou é apenas mais uma manobra de diversão para continuar a desviar verbas e recursos públicos em prol do desenvolvimento das empresas privadas?

A posição neoliberal do governo continua a favorecer empresas privadas com o argumento de que está a tentar impulsionar a economia.

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Mas quando em causa está também uma empresa pública na mesma situação, o argumento muda e o governo indica que nada pode fazer pois estaria a distorcer as regras da concorrência dentro do sector.

De acordo com documentos a que tivemos acesso, desde 2013 têm sido apresentadas algumas questões sobre as dívidas das empresas privadas à REFER, ao Ministério da Economia na Assembleia da República, por parte dos grupos parlamentares da oposição (último pedido de esclarecimento foi enviado a 2 de Julho pela CDU) a que o governo se recusa constantemente a responder. Esta situação deixa-me uma dúvida: Quando se elege um governo, é para gerir o país e prestar esclarecimentos sobre os gastos ou é para nomear burgueses para concluírem negócios proveitosos em nome individual? #Transportes Públicos