Pedro Passos Coelho afirmou recentemente que se encontra preocupado com a Caixa Geral de Depósitos (CGD), por esta instituição ainda não ter conseguido efetuar o reembolso das obrigações convertíveis de capital contingente, apesar de o poder fazer até junho de 2017. No entanto Passos Coelho deveria era estar preocupado com Bruxelas, que já reviu mais de dez vezes o plano de reestruturação da CGD, sem nunca o aprovar. Qualquer instituição financeira, que se encontre no programa de ajuda pública, tem de apresentar um plano de reestruturação tanto ao Ministério das Finanças, como também à Direção-Geral da Concorrência Europeia (DGCom), pelo que sem o aval da DGCom nunca poderá existir qualquer reembolso antecipado.

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Sendo a CGD um dos poucos ativos financeiros estatais que ainda continuam a ser altamente rentáveis e apetecíveis a inúmeras entidades externas, não será esta apenas mais uma manobra de diversão para que na próxima legislatura se avance para a sua privatização?

Fazendo referência a um ditado bem popular em Portugal: “Onde há fumo, há fogo”. Com os nossos últimos governantes, este ditado tem sido altamente comprovado e o mais provável será a sua adequação também às declarações infelizes do nosso Primeiro-ministro. A situação da CGD pouco ou nada tem de preocupante, a não ser que manipulem os números referentes aos seus ativos financeiros, que mesmo assim continuam a fazer a CGD apresentar lucros no primeiro semestre do ano em 47,1 milhões de euros. O que começamos a assistir não é mais do que o levantar de um pequeno alarmismo face a uma instituição financeira sólida, para que num futuro próximo possa ser também vendida.

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Ano após ano surgem rumores sobre a possível privatização da CGD e tal como foi feito com a TAP, a CP Carga, entre outras empresas públicas, a forma mais fácil de “despachar” uma empresa é iniciar a sua descredibilização.

De um lado temos o #Governo preocupado com a CGD, do outro lado temos Bruxelas a bloquear todas as tentativas de reestruturação apresentadas. Os planos apresentados já foram revistos mais de dez vezes e, de acordo com o que foi publicado pelo Dinheiro Vivo, a administração da CGD e as autoridades europeias vão reunir-se novamente durante este outono. Sem que o plano de reestruturação seja aprovado, a CGD está impossibilitada de efetuar qualquer tipo de reembolso. Já foram feitas vendas de participações financeiras que a CGD detinha, por imposição de Bruxelas e ao que tudo indica vai ter de existir o encerramento de alguns balcões e despedimento de trabalhadores, tal como foi imposto nas outras instituições financeiras que também obtiveram este tipo de ajuda estatal.

Vender, fechar e despedir, são sempre as fórmulas mágicas que são impostas por Bruxelas.

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Negociação, reestruturação e investimento de acordo com a realidade economia e social de cada país nunca são opção. Economistas de topo mundial, como se intitulam, apresentam alternativas que só são solução para que algumas entidades privadas venham a lucrar, em detrimento de salvar/ajudar os países/instituições que se vêm obrigados a ceder às suas ordens centralizadas. #Bancos