A CP Carga é apenas mais uma das empresas públicas prestes a passar para o sector privado e onde os resultados líquidos são bastante duvidosos. Foram já oficializadas três propostas para a compra deste ativo, cujos proponentes são: Atena Equity Partners, Cofihold Sociedade Gestora de Participações Sociais e Mediterranean Shipping Company Rail (Portugal). A decisão por parte do #Governo será tomada brevemente, uma vez que estamos prestes a entrar no período eleitoral e este dossier tem de ser finalizado enquanto o atual Governo estiver em funções. No entanto existem diversas questões que têm sido colocadas na Assembleia da República e sobre as quais o atual executivo se mantém em silêncio.

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Mas afinal voltam a existir interessados em comprar empresas que se encontram falidas ou os resultados estão a ser manipulados para argumentar as vendas?

Vender empresas que apresentam constantemente resultados negativos deve ser um dom do Governo português. Conseguem sempre encontrar dois ou três compradores como se de santos milagreiros se tratassem, prontos a salvar o nosso país e totalmente disponíveis para ficar com o encargo de gerir empresas falidas. No entanto, de falidas as empresas pouco ou nada têm e os resultados apresentados à população nem sempre refletem a realidade financeira das empresas e a CP Carga não foge a essa regra. O Governo indica que esta é mais uma empresa sem viabilidade; no entanto, no final de 2014 a empresa em questão até apresentou resultados positivos.

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Para ajudar a aumentar a incoerência, no próprio site da CP Carga existe a apresentação dos resultados relativos primeiro trimestre de 2015 e onde ficamos a saber que houve um aumento de 10% face ao período homólogo do ano transato no volume de mercadorias transportadas, o que reflete um aumento de 11,5% nas receitas.

Outra situação que o Governo se recusa a explicar está associada às locomotivas utilizadas pela CP Cargas. Após a criação da CP Cargas, as locomotivas utilizadas por esta empresa ficaram sempre associadas à CP e, em vez de constarem como um ativo da mesma, são na verdade um encargo, pois existe ainda um valor a ser cobrado devido ao seu aluguer. Este encargo representou um peso de 18,7 milhões de euros em 2014 e agora que a empresa está prestes a ser vendida, o Estado português admite passar essas mesmas locomotivas para os ativos da CP Carga, com o argumento de que irá poupar 14,3 milhões de euros na sua manutenção. Não é preciso ser economista para perceber que o valor pago pelo aluguer das locomotivas chegava e sobrava para os seus supostos gastos de manutenção, mas parece que os nossos governantes nunca lá conseguiram chegar.

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Por último, é sempre bom saber que o Estado assume os custos com o material circulante, como acontece na parceria do Metro do Porto e no Metro de Lisboa após a sua subconcessão. No entanto a CP Carga e a CP têm de assumir os custos com o material circulante que utilizam. Assim que forem privatizadas, pode ser que isso mude também. #Negócios #Transportes Públicos