“Star Whores” marca o regresso dos Serrabulho, entidade peculiar do underground nacional de #Música extrema que junta no mesmo tacho dois elementos à partida incompatíveis, death/grindcore (ou goregrind) e humor nonsense. Na maior parte das vezes esse humor passa por piadas ou trocadilhos de cariz sexual. Não será algo propriamente novo; afinal, os míticos Anal Cunt já o faziam décadas atrás. No entanto, no caso dos Serrabulho, a música é bem mais cuidada. Com uma editora nova, a alemã Rotten Roll Rex, experiente nestas andanças do grindcore, a banda manteve a sua identidade mas também apresenta uma evolução em relação à sua estreia de 2013, “Ass Troubles”

Para já, o trocadilho do título “Star Whores” é brilhante (como só os fãs deste tipo de sonoridade perceberiam) e inteligente já que, mais do que nunca, a saga “Guerra da Estrelas” está na ordem do dia.

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Mas nem só de trocadilhos inteligentes ou brejeiros pode viver um álbum já que, como qualquer anedota, quando contada demasiadas vezes, perde o seu efeito. Aliás, é um problema de tantas outras bandas do género,que não conseguem fazer um equilíbrio entre a música e as piadas – por falar em Anal Cunt, era exactamente um dos problemas da mítica banda. Os Serrabulho entregam neste segundo álbum uma produção forte e poderosa e uma série de argumentos a que mesmo os mais sisudos fãs de grindcore não ficarão indiferentes.

Claro que para quem já conhece o género não estranhará os samples mais inesperados (como é o caso da faixa “Buttman” e a sua referência ao filme final da trilogia Batman, “O Cavaleiro das Trevas Renasce”), nem os pig squeals, próprios  do goregrind. Mas é aí que reside a força desta banda e deste álbum.

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Juntando todos os lugares comuns próprios de um género, num álbum que se encaixa perfeitamente nele, os Serrabulho entregam muito mais do que seria expectável. Se as más línguas dizem que este tipo de trabalho vive de piadas fáceis e da falta de talento musical pelos seus executantes, “Star Whores” comprova exactamente o contrário – e nem seria necessário puxar dos galões da experiência dos seus membros que inclui passagens por bandas como Thanatoschizo, Stuprum Dei e Holocausto Canibal - com a versatilidade e diversidade encontrada ao longo deste álbum de happy grind.

É um álbum que resultará muito bem ao vivo, porque este tipo de coisa é perfeita em cima do palco, provocando bailaricos onde quer que seja – e quem já os viu ao vivo sabe que a animação nas suas actuações é garantida. Que o diga o público da quinta edição do Santa Maria Summer Fest – mas também é um álbum que garante o seu lugar entre os grandes trabalhos do género.