Foi de dia 19 a 22 de agosto deste ano que a história do Vodafone Paredes de Coura ficou marcada para sempre. À 23ª edição, o festival esgotou pela primeira vez na sua história, levando até à vila minhota mais de 100 mil pessoas. Mas, afinal, o que há de tão especial no festival mais a norte do país? A resposta é simples e transversal a todos os festivaleiros que rumam a Coura: o festival é o verdadeiro paraíso, ou melhor, é o Couraíso. Este ano, apesar da enchente, não parece ter sido diferente. A boa música aliada ao bom ambiente dos festivaleiros fazem com que o festival seja, ano após ano, o mais especial do país.

O ponto forte do festival é, também, o campismo.

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Não há data oficial de abertura, até porque muita gente já estava acampada desde dia 9 de agosto, contudo eu cheguei no sábado, 14. Primeiro, importa referir o ambiente de descontração que é vivido por lá. Toda a gente (ou quase) mete conversa entre si. Basta pedir para passar pelo meio do acampamento para, de repente, estar sentado a beber imperiais (sim, isto acontece). Depois, aliar isto à vila minhota é ouro sobre azul. Nos dias que antecedem o festival, a música sobe à vila e os festivaleiros também. Para além dos concertos organizados pela Vodafone (patrocinadora principal do festival há três edições), é possível ir até cada um dos bares da vila onde há música para todos os gostos. A vila é, para mim, um dos maiores pontos fortes do Vodafone Paredes de Coura; e não falo apenas da diversão nas noites que antecedem o festival.

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O melhor de Coura é que não é uma vila cara. Ao contrário do que acontece na Zambujeira do Mar durante o MEO Sudoeste, não precisamos de dar quase 5€ para comer uma sandes de queijo e fiambre. Em Coura, uma bifana sai por 1,80€ e um garrafão de água não chega sequer a 1,50€ (na Zambujeira custa 4€). Parabéns, Paredes de Coura, o caminho é esse.

Quanto ao festival em si, tenho de dar os meus parabéns à organização. Se alguma coisa falhou foram as casas de banho do campismo e a falta de chuveiros. De resto, considero que foram capazes de aguentar a enchente de pessoas, principalmente no que toca ao espaço para acampar. O recinto, apesar de pequeno, também está muito bem aproveitado e com espaço para tudo. Outra das mais valias do Vodafone Paredes de Coura é, sem dúvida, a maneira como as marcas não estão presentes. E as que estão (Vodafone ou Jornal de Notícias) não são nada intrusivas e não chocam com a presença. Deixo só uma nota para a Yorn (presente na Praia Fluvial do Tabuão): não há necessidade de haver um speaker nem joguinhos a acabarem com a tranquilidade daquele espaço.

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Por último, mas não menos importante, nota máxima aos concertos. Nos três palcos (o segundo desdobrava-se em dois) vimos alguns dos melhores concertos da temporada. Tame Impala, TV On The Radio, Charles Bradley, Lykke Li ou Ratatat deram grandes espetáculos (deviam estar inspirados pelo Habitat Natural da Música). Uma última nota: eu sei que o crowdsurfing já faz parte da essência deste festival, mas é mesmo preciso fazê-lo em concertos onde não faz qualquer sentido? Consegue ser incomodativo. De resto, obrigado Paredes de Coura. Este é, possivelmente, um dos melhores #Festivais do país. Dentro do género, tem sempre um grande cartaz, e o ambiente é dos melhores de sempre.