A exemplo daquilo que aconteceu com Julho, também Agosto surpreendeu pela riqueza das suas propostas. Riqueza, qualidade e grande variedade. Já é sabido que a #Música pesada tem um espectro bastante alargado e que os seus apreciadores têm, normalmente, os seus horizontes abertos. O mês de Agosto provou exactamente isso. Mergulhemos então nele, conforme nos vamos despedindo do Verão.

Comecemos por King Dude e o seu regresso com “Songs Of Flesh And Blood – In The Key Of Light”. Embora estilisticamente se possa considerar que há pouco de metal na obra de King Dude, alter-ego de TJ Cowgill, há sem dúvida uma aura e atmosfera que não estão ao alcance de todos.

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O seu neo-folk misturado com rock gótico surge aqui de forma particularmente brilhante. Também um pouco fora do metal temos o segundo álbum da banda norueguesa Man The Machetes. “Av Nag”, totalmente cantado em norueguês, é uma mistura explosiva entre rock, punk, metal e hardcore, num dos grandes álbuns saídos da Escandinávia nos últimos anos.

Da nossa vizinha Espanha temos os Balmog, que com “Svmma Fide” lançam um álbum fortíssimo que deverá agradar aos fãs do estilo black metal. De um outro espectro diferente, um dos grandes álbuns e também mais aguardados destes últimos tempos é o do novo projecto de Shawn Drover e Chris Broderick, ex-membros dos Megadeth, Act Of Defiance. “Birth And The Burial” é uma bomba de heavy metal, juntando muitos dos seus géneros, sobretudo o thrash metal furioso.

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Uma proposta empolgante, como um álbum dos Megadeth deveria ser. Virando o estilo, mergulhamos numa mistura de doom e sludge com os Behold! The Monolith, com o seu terceiro álbum “Architects Of The Void”. Peso, claustrofobia e uma dinâmica que é essencial para trabalhos neste género fazem desta uma obra obrigatória conhecer.

Penetrando a fundo no doom, os Ahab mostram que há vida para além do funeral doom. “The Boats Of The Glen Carrig” é uma obra que desafia os limites do género, podendo até ser ligeiramente progressiva. Se este é um género de difícil apreciação, sem dúvida que os Ahab o tornaram ligeiramente mais acessível, sem perderem um milímetro que seja da sua integridade e identidade artística. Algumas (ténues) mudanças também são possíveis de apreciar em “Infernus”, o trabalho que marca o regresso dos norte-americanos Hate Eternal. Death metal brutal, técnico e com níveis de intensidade impressionantes, mas que mesmo assim consegue ter bastante dinâmica, não sendo uma proposta unidimensional do género.

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O tão aguardado álbum de estreia do projecto Myrkur, "M", finalmente viu a luz do dia e é tudo o que o EP auto-intitulado prometeu. Com tanto de black metal como de folk escandinavo, as suas melodias são hipnóticas e agridoces, como que dois extremos opostos que deveriam andar sempre de mãos dadas. De mãos dadas surgem também os dois álbuns do mês, cortesia da Relapse Records. Locrian com “Infinite Dissolution” e Hope Drone com “Cloak Of Ash”. O primeiro é uma obra impressionante de música pesada que desafia as próprias fronteiras dos seus sub-géneros. Uma obra praticamente inqualificável e que tem tanto de misteriosa como de fascinante. Nunca a música pesada soou assim, num dos grandes destaques deste ano de 2015 até agora.

Na mesma categoria está sem dúvida “Cloak Of Ash”, não tão desafiante na forma como rompe com as fronteiras estilísticas, mas sem dúvida que tão ou mais impressionante. Um álbum com quase oitenta minutos e que eleva a fasquia (e muito) para o black metal em particular e para a música extrema em geral. Épico, melódico, pesado e intenso. Obrigatório.