Monstruosa. Cruel. Desumana. Estes adjetivos, por mais fortes que sejam, são um eufemismo para descrever a atitude e posição tomada pelos Governos dos vários países onde os migrantes procuram ficar, com a única e legítima ambição de melhorarem a sua condição de vida. Segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), divulgados na última sexta-feira, 28, e noticiados pela agência Lusa, mais de 2.500 pessoas morreram este ano ao tentar fazer a travessia no Mediterrâneo. De acordo com a porta-voz da ACNUR, Melissa Fleming, esse número já não inclui os mortos e desaparecidos num naufrágio ao largo da Líbia, ocorrido na quinta-feira, numa embarcação que transportava cerca de 200 pessoas. 

Aos que sobrevivem à travessia do Mediterrâneo, espera-os a desumanidade das ordens governamentais que vêem nessas pessoas meros objetos que podem ser deportados para o seus países de origem onde, na verdade, pouco lhes importa para onde eles vão, desde que voltem para de onde nunca deviam ter saído. 

O migrante parte com a ideia de um futuro melhor num país desenvolvido.

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Não passa de uma miragem. E é uma miragem porque esses países ditos “desenvolvidos” não existem. Quem trata os migrantes enquanto objetos pode apelidar-se de país desenvolvido? Ou por acaso o desenvolvimento mede-se somente com o dinheiro de que um país dispõe? A verdade é que o desenvolvimento da humanidade enquanto tal é, no século XXI, ainda questionável.

Ainda olho para as notícias sobre esta verdadeira tragédia com perplexidade... apesar de todos os dias ter conhecimento das atrocidades que os seres humanos infligem ao seu semelhante, é difícil acreditar que neste mesmo planeta onde vivo pode coexistir o paraíso e o inferno. Onde uns têm tanto e outros tão pouco e aqueles que têm mais negam aos outros a oportunidade de terem uma vida um pouco melhor.

Como é que cada um de nós, vivendo num país dito “desenvolvido”, consegue pousar tranquilamente a sua cabeça sobre a almofada e nada fazer enquanto tudo isto acontece!?! Tantas lutas travadas, tantas guerras e mortes e o ser humano ainda não conseguiu matar o essencial...

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a maldade dentro de si.

Por mais que queira e alimente a aspiração de tornar este mundo um pouco melhor, hoje o meu sentimento é de desânimo. Desânimo motivado por quem pouco ou nada fez para ajudar essas pessoas. Desânimo comigo mesma porque me incluo nessas pessoas e não me desresponsabilizo. Não podemos permitir que isto continue! Porque a vida dos migrantes importa. #Política Internacional