Sim, os milagres existem. Dita a lenda que aparecem de quatro em quatro anos. Bónus, este é o quarto ano e estamos quase a presenciá-lo. E imagine-se, todos os portugueses são testemunhas, assim não há questões para os não crentes. Se somos um país pequeno? Sim. Mas conseguimos grandes feitos milagreiros. Disso, já não há português nenhum que questione tal facto! Quer dizer… alguns.

Mas estes milagres não possuem a mesma ordem que os tradicionais. Nestes, um pouco mais atuais, existe uma campanha ao miráculo - igual à de há vinte anos, dando a sensação de que todos os recém-licenciados em marketing estão empregados.

Os portugueses vão assistindo repetidamente à sua promoção, desde nas televisões, nas rádios e nos jornais.

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E até, por incrível que pareça, existem debates sobre os mesmos para que se consiga entender qual é a melhor escolha. Até parece que os milagres não são uma maravilha. E depois é simples: existe uma data para o português votar no milagreiro que acredita, ou na crença que lhe tenta dispor. Mas a vitória, normalmente, não é uma surpresa. Porque os indecisos são poucos, as coligações milagrosas unem sempre alguns votos extras e o potencial concorrente já nem se vê na última sondagem. Os outros? Nunca existiram, só se for para dançar a Carvalhesa.

Após o milagreiro vencer -sim, milagreiro, porque uma milagreira destacada no meio de tantos milagreiros, ainda dirão que é sexismo - existe apenas e exclusivamente um dia de festa. Diferente dos tradicionais, não é? É que este ninguém quer lembrar.

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Não traz maravilhas, não traz tranquilidade e muito menos novos crentes. Traz sobretudo cortes, desemprego e emigrações. Se é miraculoso? Isso ainda não sabemos. É certos que os bancos estão contentes - especialmente os Novos – e que os ex-primeiros-ministros podem, sempre que quiserem, passar as férias em Évora porque a cidade de Paris, ainda é cara para um português.

O que é certo, é que cá ficamos, irrevogavelmente, à espera de um verdadeiro milagre. Sim, porque quer se acredite ou não, é o que mais este país necessita. #Eleições #Legislativas