São 10 horas e seguimos em direcção a Espiunça, em Arouca, sem saber o que encontrar. As indicações não eram muitas, mas rapidamente começámos a ver um aglomerado de carros que não nos deixou dúvidas de que era ali. Centenas de carros estavam estacionados na berma da estrada, junto ao monte e a fila parecia não acabar. Encosta acima, encosta a baixo via-se as viaturas a brilhar com o sol a bater. Assim começava a primeira dificuldade do percurso: encontrar um local para estacionar.

Depois de questionar a falta que um parque de estacionamento fazia, lá encontramos um lugar para deixar o carro. Começámos a caminhar monte a baixo, mochilas às costas, abastecidos com água e alimentos e já fazendo o aquecimento para a caminhada de 16 km a que nos tínhamos proposto.

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Não esperávamos tanta gente e provavelmente ninguém esperava. Como tal sente-se a falta de serviços auxiliares: estacionamento, mais locais para comer, talvez mais casas-de-banho. Mas aparte dos pequenos reparos, e depois de percorrermos cerca de 1km desde o local onde deixámos o carro, estamos prontos para iniciar a verdadeira caminhada.

Os passadiços em madeira parecem serpentear por entre a encosta, sempre junto ao rio. Uma caminhada agradável pela margem esquerda do rio Paiva, onde é possível apreciar a paisagem assim como as rochas que espreitam no passadiço. O percurso alterna entre a estrutura em madeira – na sua maioria – e o caminho em terra batida, durante poucos metros. Durante as horas de maior calor, nos locais onde não havia sombra a caminhada tornava-se mais difícil, mas a paisagem incentivava a continuar.

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Depois de uma meia dúzia de kms percorridos, aparece a etapa de fogo: a escadaria da garganta do Paiva. Olhámos para cima, com os olhos semicerrados pela luz intensa do sol: é um longo caminho, sempre a subir, são 450 degraus a percorrer pelas pernas já cansadas.

Cada um subiu ao seu ritmo, com mais ou menos paragens pelo caminho, a uma velocidade mais ou menos constante, já com a roupa molhada e colada ao corpo. Perde-se o fôlego até chegar ao cimo, para depois, desfrutar de uma paisagem de cortar a respiração. Como um prémio por ultrapassar a difícil etapa, podemos desfrutar de uma paisagem incrível, e olhar para trás para o percurso percorrido. Mas o percurso ainda não terminou, continua por um caminho de terra batida, até se encontrar novamente um grande lanço de escadas, desta vez a descer até à praia de Areinho para desfrutar da paisagem cruzada por uma ponte romana. É agora momento de repor energias.

Se durante a subida difícil das escadas prometemos nunca mais voltar, mudámos agora de ideias e começamos a planear a próxima visita, a qual, segundo o jornal Público, a autarquia de Arouca pretende que em 2017 sejam já 20km de passadiço, que incluem dois museus e até um bar suspenso.

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Fizemos 8km entre Espiunça e Areinho e agora vamos fazer tudo outra vez para voltar. O sol está agora menos intenso e a viagem parece bem menos exigente. Já a meio do percurso paramos na praia do Vau. Os pés cansados relaxam ao entrar na água e pisar as pedras, a água refresca a pele já queimada pelo sol e o corpo cansado pode então descansar. São horas de voltar, já frescos e descansados caminhamos os kms que restam. Terminamos cansados, os ténis já não são brancos, o cabelo já não está impecável, o carro parece estar ainda mais longe. O dia foi duro, foi cansativo, foi difícil, mas caminhámos por dentro de um paraíso, vimos coisas que nunca veríamos e levámos memórias para toda a vida. #Natureza #Turismo