O tão aguardado novo álbum dos Slayer é finalmente uma realidade. Com a data de lançamento anunciada para o próximo dia 11 de Setembro através da gigante independente Nuclear Blast, “Repentless” vai matar a sede de muitos dos fãs de thrash metal da seminal banda norte-americana. Muita expectativa está sobre este novo conjunto de músicas, seja por ser o primeiro trabalho sem Jeff Hanneman, falecido em 2013, seja por quebrar com um silêncio editorial (no que a originais diz respeito) que já durava seis anos. Estas são as duas questões fulcrais a que provavelmente o álbum responderá de forma positiva.

Primeiro, o óbvio. Jeff Hanneman.

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O homem era uma lenda que já não tinha nada a provar a ninguém pelo seu trabalho criativo com a banda, nomeadamente no colosso thrash metal que é “Reign In Blood”. Um dos membros fundadores de uma das bandas mais importantes do género, ao lado de nomes como Metallica, Anthrax e Megadeth.

No entanto, o seu desaparecimento fez com que a banda passasse de um ponto de pressão relativo (aquele que qualquer banda tem em relação ao próximo trabalho de estúdio) para um ponto de pressão inacreditável, já que para muitos fãs o seu desaparecimento marcou, na altura, o fim dos Slayer. A sua substituição por parte de Gary Holt (também nos Exodus e amigo próximo de Hanneman), que já tocava com a banda ao vivo desde 2011, não alterou este sentimento. E para isto é necessário não ceder a extremismos e admitir que Jeff já não fazia parte da banda há já algum tempo e que criativamente não estaria tão envolvido como na década oitenta.

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Segundo, a questão mais sensível. Slayer tiveram, desde a década noventa, menos brilhantismo do aquele verificado anteriormente. “Divine Intervention”, “Diabolus In Musica” e “God Hates Us All” deixaram muito a desejar e apenas com “Christ Illusion” e “World Painted Blood” chegaram a tocar levemente na genialidade, que álbuns como “Reign In Blood” e “Seasons In The Abyss” brindaram ao mundo.

Então e o que é “Repentless”? Um resgate da glória passada bem-sucedida ou apenas mais uma vã tentativa de o conseguir? Na verdade, ambas mas nenhuma das duas. A banda surge com uma energia renovada, completamente recuperada do trauma que foi o desaparecimento de Jeff Hanneman e das confusões monetárias que tiveram com Dave Lombardo, baterista e também membro fundador.

No que diz respeito a essa substituição, Paul Bostaph não é nenhum estranho ao serviço da banda (já é a terceira vez que faz parte da formação) e apesar de estar associado aos álbuns mais fracos da carreira da banda, não deixa de ter uma prestação irrepreensível – até porque os seus dotes como baterista nunca estiveram em causa.

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Os novos elementos não são o ponto de destaque, nem sequer a ausência de Hanneman. Aqui, o grande destaque mesmo vai para o facto de que estes 12 temas soam a Slayer no seu melhor. Do início ao fim. Desde a intro instrumental “Delusions Of Savour” até à pesadíssima “Pride In Prejudice”, não há um momento fraco, não há nenhuma #Música que não faça sentido estar aqui.

O tema título poderia estar num álbum como “Seasons In The Abyss” enquanto “Piano Wire” até fazia sentido em “South Of Heaven”. Mas onde “Repentless” triunfa é no simples facto de que não se trata de um olhar para o passado para tentar recapturar alguma da glória passada. Estes são os Slayer em 2015, tendo perfeita consciência de tudo aquilo que foram e são e conseguindo transportar isso para novas músicas (veja o vídeo abaixo). Ou seja, tudo aquilo que um fã deseja.