Um dos álbuns mais aguardados do heavy metal e da carreira dos Iron Maiden já está disponível. “The Book Of Souls” promete logo à partida ser um dos mais ambiciosos da carreira da mítica banda britânica. Mais de 90 minutos de #Música que se prolongam ao longo de dois discos em apenas 11 músicas, este é um trabalho que está a conquistar os fãs de heavy metal um pouco por todo o mundo, conquista essa acompanhada pela aprovação da crítica. Mas será que esse entusiasmo todo é justificado ou trata-se de exagero de quem não consegue criticar um nome tão grande como Iron Maiden.

Basta ouvir o primeiro tema, um épico de 8 minutos e meio de seu título “If Eternity Should Fail” para se ter a certeza que sim.

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No entanto, este não é um álbum para se absorver todo à primeira, até porque tal é impossível dada a sua dimensão, não só em termos de duração como de riqueza das músicas que contém. Um pouco à semelhança de “The X Factor”, um álbum amaldiçoado por alguns fãs por se tratar do primeiro com Blaze Bailey, após Bruce ter decidido sair. Esse é um álbum onde nos surge algumas vezes, principalmente no tema “The Red And The Black”, o único escrito a solo pelo baixista e líder da banda, Steve Harris, embora também relembre a “Heaven Can Wait” do clássico “Somewhere In Time” de 1986.

Que a faceta progressiva da banda tem vindo a ser acentuada cada vez mais ao longo dos últimos anos, isso é um facto, mas aqui é onde efectivamente surge em todo o seu esplendor, sem que soe de alguma forma aborrecido.

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Afinal estamos a falar de heavy metal. Quando se tem um álbum de heavy metal, no qual grande parte das músicas têm mais de seis minutos de duração, é efectivamente um risco que se corre. Esse risco acaba por ser ilusório, já que a banda parece estar perfeitamente ciente das músicas que criaram e a verdade é que este conjunto de temas é do mais forte de sempre, soando clássico mas ao mesmo tempo a continuar a tentar (e a conseguir) soar relevante.

Para quem tem quase quarenta anos de carreira, lançar um álbum desta envergadura e qualidade, conseguindo-se manter relevantes é prova maior da sua importância e de como não estão encostados aos êxitos passados para sobreviver no passado. O olhar da banda está no futuro e é exactamente o que se sente aqui.

Poderá ser estranho, mas desde “Brave New World”, nunca um álbum soou tão bom e tão perfeito logo à primeira audição. Tendo em conta o que já foi dito atrás: este é um trabalho para ser apreciado aos poucos, para ser absorvido aos poucos e a cada nova audição, o mesmo nos vai trazer novos detalhes, principalmente as músicas mais longas, que nunca são aborrecidas.

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“Speed Of Light” é o single de avanço e ao ouvir o tema pela primeira vez não se tem noção da qualidade do álbum em si. O que é engraçado é que esse mesmo tema também se vai tornando cada vez mais atractivo aos ouvidos a cada vez que se ouve. Mesmo assim, para single, talvez “Death Or Glory”  ou “Tears Of A Clown” (homenagem a Robin Williams) fossem melhores opções. Pormenores.

As notícias dos tumores na língua de Bruce Dickinson trouxeram a todos os fãs preocupação não só pela saúde do vocalista como também em relação ao futuro da banda. Este álbum foi gravado antes que se soubesse que Bruce padecia da condição e a avaliar pela sua prestação aqui, não existe nenhum indicativo a apontar a essa condição, com uma prestação irrepreensível, assim como também a restante banda demonstra estar no topo das qualidades técnicas como as longas secções instrumentais demonstram -  e o que dizer de “Empire Of The Clouds”, o épico com 18 minutos de duração?

Sem dúvida que “The Book Of Souls” é um dos álbuns mais importantes do heavy metal, não só de 2015, mas dos últimos anos. A banda estabeleceu um novo patamar de excelência que outros terão dificuldade em alcançar. Obrigatório.