Um grupo que se identifica por Quinteto Explosivo criou esta semana uma petição para que Mariana Mortágua pose nua para a Playboy. Segundo o Jornal i, Bernardo Coelho, responsável pelas edições da revista em Portugal, não descarta a possibilidade de convidá-la a a realizar o sonho dos internautas. Efetivamente, desde o seu espantoso desempenho na Comissão Parlamentar de Inquérito no caso BES, Mariana Rodrigues Mortágua não passa despercebida: com apenas 29 anos, para além da interpretação de papéis políticos já conhecidos, é investigadora e já exerceu as funções de investigadora e de professora universitária. Este currículo, associado à atitude de frontalidade e de intimidação improvável que exibe quer perante as câmaras, quer perante os restantes deputados, tornou Mortágua numa "mulher forte" junto da opinião pública, com ideais próprios e atitude vincada, símbolo de uma geração forte, formada, reativa e proativa.

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Uma "estrela em ascensão", como já foi múltiplas vezes apelidada pela comunicação social.

Não é a primeira vez que uma mulher com este perfil, e que ocupa uma posição determinante na vida pública, é sexualizada essencialmente pelo público masculino (evitemos as generalizações precipitadas), numa atitude que se diz apenas manifestação de admiração; curiosamente, muito raras são as situações análogas com personalidades de destaque do ponto de vista político-social do género masculino. Isto ocorre no contexto de uma sociedade que, embora em constante evolução, se mantém fundamentalmente machista e, portanto, naturalmente opressora do género feminino. Esta opressão revela-se de várias formas, duas a destacar: por um lado, o coletivo social, por vezes de forma não totalmente consciente, não aceita que uma mulher singre num campo de trabalho estritamente intelectual, recusando-se a reconhecer-lhe o devido mérito antes de cruzar as suas características físicas com o modelo cultural de beleza e de sensualidade.

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Não interessa qual a sua área, a mulher deverá ser mais bonita do que boa profissional; por outro lado, e porque uma mulher inteligente se torna intimidante, há que degradar a sua imagem pela via da objetificação sexual.

Esta última ideia remete-me para um ponto cuja clarificação é crucial: há uma grande diferença entre essa objetificação e o tal empowerment pessoal através da sensualização; essa diferença reside no consentimento da pessoa visada.

A petição "Queremos a #Mariana Mortágua na Playboy", contando já com 992 assinaturas, não só descredibiliza um veículo de acção popular fundamental, como constitui uma forma grave de assédio sexual - que, muito embora não seja expressamente considerado crime pela lei, muito traduz sobre a forma como os portugueses ainda vêem as mulheres. #Imprensa