Com o crescimento dos blogues em Portugal, temos visto vários "blogues maternais" emergir para nos contarem as aventuras que uma recente (ou nada recente) mamã-experiência. Se por um lado servem como um desabafo que nem sempre se pode ter com os mais chegados (como é caso das escolhas saudáveis que toda gente teima em implicar com elas), por outro servem como álbum de memórias que será seguramente divertido ler quando a coisa pequena lá de casa se tornar a maior. Nem todos têm o mesmo impacto nos resultados de pesquisa do Google, mas algum tornam-se verdadeiros estudos de caso sobre o fenómeno. 

Nestes blogues (além de inúmeras histórias de cocó que só mesmo os pais podem achar graça) vemos expressada a preocupação da ida para os infantários.

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Sobretudo para as mamãs que tiveram a sorte de ficar um bocadinho mais tempo com as suas crias, as questões estão todas bem escritas preto no branco (literalmente): "e se as educadoras não lhe derem colinho quando chorar?", "e se não respeitarem as minhas escolhas alimentares?", "e se ninguém quiser brincar com eles?", e muitas mas mesmo muitas outras questões (que por vezes nem se podem dizer alto de tão tolas que parecem). 

Mas e se disséssemos a estas mães (e a todas as outras) que não estão a enviar os seus filhos para o infantário ou para a escola mas sim para a guerra?

Qualquer mãe-galinha vai querer enfiar o seu filho na redoma do seu colo e deixá-lo lá ficar até ter 18 anos (leia-se 40), mas qualquer boa mãe sabe que não pode ser assim. As crianças têm que crescer e conviver com os seus pares, por outras palavras: prepararem-se para o mundo.

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E isto é literal. 

Desde o momento que saímos do nosso pequeno círculo para ir para a escola, deixamos de ser os mais bonitos, os mais engraçados e a luz do nosso care-provider, já que este provavelmente terá uma cria própria com que se preocupar e no final de contas nem todos os que trabalham com crianças o deveriam fazer. Aprendemos rotinas diferentes, obrigações que até aí não tínhamos e somos avaliados com um sistema completamente irrealista a que vou chamar de sistema-stressador-de-pais. Além disso aprendemos também que não podemos ir a correr para a nossa mamã assim que nos magoamos, pois ela não vai estar lá.

Mas como se isto tudo não nos bastasse, somos forçados a aprender abruptamente que existem outros meninos como nós, que têm as mesmas obrigações de pedir para ir fazer xixi, por exemplo, ou que também querem brincar com o brinquedo que nós queríamos, mas que são mais estúpidos. Sim, mais estúpidos. Batam-me se quiserem, ou não apareçam mais por aqui, mas uma coisa vos digo - quando uma criança apresenta o sofrimento psicológico ou físico a outra eu chamo-lhe de estúpida

[Parte 1 - continua #Violência #Ensino #Direitos