O ano não podia correr pior para a Europa! Como boa menina que é, consente as sérias críticas que os #EUA fazem à atuação militar Russa na Síria! Muitos líderes e comentadores, americanos e europeus, criticam veementemente a forma como os russos estão a intervir no combate contra o Daesh. Por outro lado, temos a imprensa russa alertando para a abordagem, ainda mais negra, de como os EUA gerem a questão do combate ao #Terrorismo. Estou a falar, sim, do negócio de armas!

Felizmente, já se fazem ouvir vozes que apontam o dedo a esta atitude de “dois pesos e duas medidas”. Ainda assim, os líderes europeus permanecem inertes! Não só têm conduzido uma política economicamente disruptiva para a Europa, como também são incapazes de defender valores fundamentais para uma sociedade que se crê secularizada.

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Deixa-me particularmente preocupado a passividade como a Europa se rende à influência norte‑americana, vendo‑se agora praticamente “obrigada” a ser conivente com a recente e inqualificável ação da Turquia ao abater um caça russo, sobretudo numa altura em que se espera uma união internacional para o combate ao terrorismo. Mais chocante ainda, é a recente detenção do director do jornal turco Cumhuriyet, acusado de “espionagem” e “divulgação de segredos de Estado”, por este ter revelado que os serviços secretos turcos estavam a entregar armas a jihadistas na Síria. Uma vez mais, eu gostaria de saber o que a Europa tem a dizer e a fazer contra esta clara violação da liberdade de expressão, num país em vias de aderir à UE.

Pergunto‑me, não deveriam os EUA priorizar a proteção da Europa contra o terrorismo? Não deveriam os EUA esquecerem as velhas quezílias com a Rússia a fim de exterminar um inimigo comum? Não! Em vez disso, apoiam a 100% o abate do avião russo esta semana.

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Mais, cultivam amizades com a Arábia Saudita e o Qatar, responsáveis por inúmeros crimes contra a humanidade, mas insistem em destituir Bashar Al-Assad, um líder eleito democraticamente, num dos países Islâmicos mais moderados e ocidentalizados. Deste modo, vejo‑me tentado a concordar com o Kremlin, de que os EUA e a Europa estão mais a apoiar o Daesh do que a combatê‑lo.

Felizmente, há vozes que se insurgem neste clima de repressão em território democrático. O senador norte‑americano Richard Black numa carta enviada esta semana ao presidente sírio, tece duras críticas à política externa americana, elogiando a iniciativa russa na Síria. Em entrevista à Sputnik, Black afirmou haver agora mais pessoas que “reconhecem agora o absurdo de se aliar a terroristas contra a Síria”. Nessa mesma entrevista, Richard Black corroborou a ideia de que a Turquia está de facto envolvida no fornecimento de armas a grupos terroristas.

Embora as instituições europeias e americanas o ignorem, os números são públicos e conhecidos, de que as indústrias americanas, e também algumas europeias, são responsáveis por grande parte das vendas de armas à Arábia Saudita.

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Recentemente, o jornal alemão German Economic News revelou que o governo americano autorizou a venda de 19,000 bombas à Arábia Saudita, liderada por Wahhabistas, cuja ideologia é também usada pelo Daesh para justificar as suas ações.

Espero agora é que, face à atual conjuntura, a Europa entenda que é imperativo revisitar as nossas alianças. Mas essa tarefa não se apresenta fácil, que o diga François Hollande que tem agora em mãos um assunto difícil de gerir a nível diplomático, e pouca ajuda. Do lado do Reino Unido, os franceses apenas contam com a disponibilização de acesso às suas bases no Chipre. A Alemanha, estando proibida desde o fim da segunda guerra mundial de iniciar por si só operações militares, já não tem muito para oferecer neste domínio. Resta-nos agora esperar que a união franco‑russa perdure.

Chega de subserviência! Pessoalmente, e em prol da cultura e dos valores Europeus, eu peço o divórcio aos EUA.