O "arco da governabilidade” é uma expressão muito cara e útil a Paulo Portas e à direita que caiu com o Governo. A governabilidade deixou de ser um arco, ou uma recta ou outra coisa que não seja a expressão do voto popular traduzido na composição da Assembleia da República. Mesmo que Cavaco não emposse António Costa, o "arco da governabilidade” acabou. Mas não será dar posse a #António Costa o que mais custará a Cavaco. O que lhe vai doer será acabar com o tal conceito do "arco da governabilidade” que tanto jeito dava para condicionar e manter reféns os eleitores mais influenciáveis - e são muitos.

Demagogia tosca

Este, como outros embustes, caíram.

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Como é o caso da incoerência da direita, que acusa António Costa de querer ser #Governo para sobreviver politicamente quando era precisamente essa sobrevivência que a mesma direita lhe estava a oferecer quando, ainda há pouco, lhe propôs um acordo e até lugares no Governo.

O papão dos mercados

Outro embuste: o acordo da esquerda está a preocupar os mercados. Mas afinal a Bolsa está a subir. Os mercados "estão-se nas tintas" para quem governa, desde que lucrem. Não se preocupam com a fome, com a guerra ou com a miséria, porque isso são preocupações das misses nos concursos de beleza e os mercados não querem ser esbeltos; querem é engordar cada vez mais. O acordo da esquerda não os preocupa, nem os regimes de déspotas, as ditaduras sanguinárias ou as cleptocracias. Antes pelo contrário, esses são de tanta confiança que muitos até fazem parte dos próprios mercados.

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Nada que não seja o seu dinheirinho os preocupa.

Mesquinhez em rede

A mesquinhez humana passeia-se pelas redes sociais, principalmente no Facebook, intercalada com frases lamechas e fotos de pores-do-sol melosos, muitas vezes disfarçada de indignação contra injustiças. É fúria contra a atribuição de médico de família, isenção de taxas moderadoras ou o alojamento dos refugiados. Estes raivo-indignados do Facebook não pedem isenção de taxas, médicos ou alojamento para os outros que delas também devam beneficiar, antes ficam raivosos contra quem delas justamente beneficia. É como a situação do tipo que se enraivece porque o colega de trabalho tem um salário mais elevado, em vez de se revoltar porque o seu é mais baixo.

Eles são perigosos

Começaram por abominar a Internet, a seguir desdenharam do correio electrónico e hoje desdenham as redes sociais. Esta parece uma definição de sintomas dos info-excluídos, mas não é. Refere-se a um determinado tipo de figuras, jornalistas ou não, que publica "coisas & opiniões" na comunicação social.

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Esta gente, julgando-se eleita, abomina tudo quanto sejam formas de comunicação em massa não selectivos (isto é, “meios de comunicação não mediados”, na definição de Henrique Monteiro, este sábado, 7 de Novembro, no Expresso). Por exemplo, detestam a Internet e as suas ferramentas, principalmente o Facebook, porque divulga indiscriminadamente a opinião de qualquer um. O argumentário com que se justificam é pobre, pouco mais do que aquilo de serem “meios de comunicação não mediados”. Mas deviam ser esclarecidos de que, afinal, ser "mediado" não é uma virtude, antes pelo contrário. Porque, na verdade, a principal forma como são mediados é pela folha de vencimento dos seus escribas. Na verdade, o problema destes detractores é que se diga e fique registo de algumas verdades acerca das mentiras que eles contam. E, concedamos, também os incomoda a concorrência de algumas mentiras que por aí circulam. #Cavaco Silva