Quem se lembra do chanceler Palpatine e da ordem 66? Eu não acredito que algo do género aconteça em solo europeu. Contudo, o comportamento da Europa no quadro geopolítico e militar atual assemelha-se à trama que vimos no episódio III do Star Wars!

Então não é que nesta quarta‑feira a União Europeia dá o prémio Sakharov para os direitos humanos à esposa do blogger saudita recentemente condenado a 10 anos de prisão por ofensas ao Islão!

A entrega deste prémio foi para mim uma surpresa, dado o atual cenário geopolítico que, digamos de passagem, não podia ser mais oportuno. Para melhor entenderem esse mesmo cenário precisamos primeiro de listar os grandes problemas que a União Europeia enfrenta atualmente.

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Crise da dívida, crise de refugiados, ameaça terrorista e dois amigos da onça, a Turquia e a Arábia Saudita. Dos primeiros três problemas, penso que já estamos todos cansados de saber as suas implicações. Já quanto aos amigos da onça, podemos simplificar dizendo: Dark side! Nos últimos cinco anos a venda de armas à Arábia Saudita teve um crescimento sem precedentes. Os vendedores, esses, são maioritariamente empresas americanas e europeias. É igualmente importante lembrar que a Arábia Saudita é governada por uma elite religiosa e detentora de grandes explorações de petróleo, onde as mulheres são obrigadas a passear-se nas ruas feitos espetros, e a pena de morte pode ser aplicada por ofensas ao Alcorão ou ao profeta Maomé! Mas o que está mesmo mal é o regime de Bashar al-Assad, onde a constituição é laica e as mulheres circulam livremente nas ruas, com ou sem hijab!

O verdadeiro problema da Síria, e da Europa também, não é o seu presidente, é o Daesh! Enquanto deste lado do continente se ignora o facto de um blogger saudita ter sido condenado por alegadas ofensas ao Islão, temos a Turquia, no outro canto da Europa, a comprar ao Daesh petróleo roubado.

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O mesmo Daesh é, segundo o Ministro da Defesa russo, financiado e armado pela Arábia Saudita. Algo que não me espanta! Quer o Daesh quer os líderes sauditas são profetizadores do ramo mais conservador do Islão, o whahhabismo. Quem mais estaria disposto a financiar um movimento terrorista com a dimensão do Daesh em tão pouco tempo? Quem teria a rede de contactos que possibilitaram as inúmeras ações de terror, altamente organizadas? Por que motivo um grupo terrorista ambiciona impor uma fé e uma política espelhada nas leis sauditas?

Está-me a parecer que temos no ocidente uma espécie de “chanceler Palpatine” com grande influência nos governos ocidentais. Um lado tão negro quanto hipócrita! Um lado capaz alimentar uma guerra dos dois lados da barricada. Um lado que, para acalmar os ânimos dos toscos que acreditam na liberdade de expressão, oferece um prémio, banhado em banha de cobra, à esposa de um homem que foi privado desse mesmo direito. Das duas, uma. Ou a Europa é muito estúpida ou realmente ela tem um Daesh Side! #Terrorismo #Política Internacional