#José Sócrates veio falar à televisão, creio que à TVI. Não vi a entrevista, mas depois foi um banzé de violência nas redes sociais, ora de pessoas que o querem ver preso ou mesmo morto, ora de quem acusa a direita de criar um caso jurídico inexistente e montar uma cabala com fins políticos. A verdade é que o tema Sócrates não me interessa, e não devia interessar à maior parte dos cidadãos.

Em termos políticos, o assunto não me interessa porque Sócrates está politicamente morto. Ao contrário do que afirma João Miguel Tavares, não existe um consenso na sociedade portuguesa sobre a culpabilidade exclusiva de Sócrates relativamente à vinda da Troika.

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Mas daí a pensar que a figura pudesse ser aceite de forma positiva em termos políticos vai uma enorme distância. Quando Sócrates voltou à RTP enquanto comentador político, só mesmo a direita anti-Sócrates é que lhe deu atenção e tempo de antena. O resto da sociedade mostrou pouco mais que indiferença. E a prova é que os líderes do PS e do PSD, de forma simples e tranquila, “chutaram” Sócrates para canto durante a ‘loonga’ campanha eleitoral que começou no momento em que o “animal” foi detido na Portela.

Em termos jurídicos, ainda me interessa menos, para não me doer a cabeça. Pessoalmente, tenho a convicção de que Sócrates provavelmente é culpado daquilo que não o acusam. Uma convicção que vale o que vale, porque deve ser a Justiça a avaliar essa questão, e não eu. Ora, se a Justiça o detém e deixa esgotar os prazos sem prosseguir com a acusação, enquanto não páram de ser divulgadas matérias de segredo de Justiça, das duas uma: ou há extrema incompetência ou má fé para prejudicar o PS.

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Não sei o que é pior. Como disse Vasco Pulido Valente no Público, é melhor “mudar de assunto”.

A quem interessa o caso Sócrates?

Para já, ao grupo Cofina do Correio da Manhã. Alimentar o caso Sócrates, explorar a questiúncula ao máximo e mobilizar os seus eleitores contra o ‘grande vigarista’, apresentando-se como campeão da democracia e da liberdade de expressão, é uma forma rentável de fazer jornalismo. Foi com essa mesma lógica que escolhi o título deste artigo; Sócrates num título já garante interesse, mas se for Sócrates misturado com Salazar, com o Estado Islâmico, com Cristiano Ronaldo, Irina Shaik ou outras coisas, pode ser que ainda dê mais.

Eventualmente, interessa ao Movimento Cívico “José Sócrates, Sempre” e às 1400 pessoas que seguem a respectiva página no Facebook.

Não suporto ver Sócrates em liberdade! O que fazer?

Tem-se visto que o asco a Sócrates se situa, ideologicamente, mais à direita. Os cidadãos que não o podem ver "nem pintado" deverão fazer duas perguntas aos responsáveis do Correio da Manhã: