A vitória de Marcelo Rebelo de Sousa nas presidenciais era esperada e adivinhada há cerca de 15 anos, desde que se tornou comentador televisivo regular aos domingos à noite. Contudo, antes de se constatar a importância desta 'campanha eleitoral' de 15 anos, é preciso reconhecer que se trata de um sinal de maturidade democrática e de um sistema político consolidado. Os eleitores reconhecem a diferença entre legislativas e presidenciais, e nestas votam na personalidade, mais do que na ideologia. 

A coligação PàF obteve, nas últimas eleições legislativas, 2.086.075 votos, ou seja, um pouco menos de 2,1 milhões de votos. Já Marcelo, 3 meses depois, conseguiu 2.403.874 votos, ou seja, mais 300.000 votos.

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Tendo em conta que houve menos 730.000 pessoas a votar nas presidenciais que nas legislativas, o resultado do professor/comentador torna-se ainda mais impressionante. Ao contrário de Passos Coelho, que pediu a maioria absoluta mas não a conseguiu, Marcelo conseguiu mesmo ter mais de 50% dos votos.

A prudência que Marcelo mostrou desde Outubro, quando viu que a esquerda somada tinha mais votos que a direita, funcionou perfeitamente. Alguma direita virou a cara para o lado e votou, mesmo sabendo que era o "mais à esquerda" da direita; e os votos da esquerda nas legislativas dispersaram-se, ou nem compareceram. O altíssimo número da abstenção mais não é do que outra prova desta estabilidade política; a fúria e a determinação que se vêem no Facebook nunca chegam à urna de voto, quanto mais às ruas.

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Paulo Portas reagiu fazendo da vitória da Marcelo uma rejeição da opção de António Costa de formar governo à esquerda. Contudo, Portas, que é especialista em sondagens, sabe com certeza que todas as sondagens efectuadas desde a tomada de posse de Costa têm validado a sua opção. Se o eleitorado se tivesse sentido realmente indignado com a formação da "geringonça", seria de esperar que o PSD liderasse destacado. Todavia, PS e PSD continuam empatados, tal como tem acontecido desde o Verão. Pelo contrário, as sondagens "presidenciais" nunca deram um empate entre Marcelo e os seus adversários socialistas, entretanto reduzidos a Sampaio da Nóvoa depois de Maria de Belém ter sido "esmagada" pela questão das subvenções vitalícias.

Ao contrário do que diz Portas, o voto no seu antigo camarada da vichyssoise foi um voto nele próprio e nos 15 anos que passou a entreter-nos aos domingos à noite. Porque, afinal, ele fala muito bem. #Eleições Presidenciais #Marcelo Rebelo de Sousa