Neste último ano registou-se um aumento da russofobia e da propaganda anti-Kremlin produzida pelos meios de comunicação ocidentais. Quer os meios de comunicação do Ocidente quer os do Oriente falsificam sempre as notícias, algumas mais parecidas com a realidade, outras menos. Mas a realidade é que a comunicação social tornou-se numa mentira nestes últimos anos; vários corruptos tentam influenciar a opinião das pessoas em relação a certas coisas. Na Rússia fazem propaganda ao governo, incentivam o patriotismo e o nacionalismo e falam dos homossexuais como se não fossem humanos. No Ocidente usam as decisões do governo russo para acentuar a russofobia e para tentar pôr as pessoas contra a Rússia.

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Mas ambos estão mal e completamente errados sobre o que é a verdade.

Neste ano de 2015, depois de um 2014 em que a Rússia invadiu a Crimeia e realizou lá um referendo para decidir se continuaria parte da Ucrânia ou se juntaria à Rússia, agora a Rússia é acusada de ocupar o leste ucraniano. Verdade? Sim, existem provas concretas de que a Rússia ocupa o Leste da Ucrânia já desde o ano passado e a própria oposição russa já revelou isso e essa poderá ter sido uma das razões para a morte do opositor Boris Nemtsov.

Primeiro, falemos da Crimeia. A verdade, e ninguém o pode desmentir, é que a Crimeia sempre foi um território russo, com população de maioria russa e que se identificou sempre maioritariamente com a cultura russa. Mas um erro foi cometido: Nikita Khrushchev não devia ter oferecido a Crimeia à Ucrânia.

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Isso acabou por mudar a história toda. Caso Khrushchev não tivesse feito o que fez, talvez esta nova "guerra fria" entre Rússia e Estados Unidos não estivesse a acontecer. A forma como a Rússia recuperou a Crimeia foi errada, mas também é errado não admitir que a Crimeia é russa e o povo da Crimeia já o afirmou num referendo, que talvez até tenha sido falsificado, mas isso não serve para desmentir a verdade.

Agora, a luta contra o Estado Islâmico! A Rússia está a fazer alguma coisa na Síria ou não? Podemos afirmar que a Rússia combate o Estado Islâmico e tem mais razões para o combater do que os Estados Unidos, mas também não é novidade para ninguém que a Rússia apoia o ditador Assad. A Rússia já matou vários civis, mas os Estados Unidos não mataram menos. Os Estados Unidos culpam a Rússia de apoiar um ditador que maltrata o seu povo, mas os Estados Unidos são aliados de um dos governos mais repressivos do mundo, o da Arábia Saudita. Porquê? Interesses económicos, acima de tudo. Os interesses dos governos superam os interesses do povo, é por isso que em Espanha não deixam que se realize um referendo na Catalunha.

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Na Ucrânia continuam a insistir que a Crimeia é deles e rejeitam o resultado do referendo lá realizado. Depois, o Ocidente cria propaganda anti-Kremlin e critica o racismo e a homofobia no país, mas nos Estados Unidos as mortes de jovens negros por polícias brancos são cada vez mais comuns.

A democracia ainda é um objetivo longe de ser alcançado. E ninguém colabora para a criação de um mundo mais justo e democrata. Os presidentes todos aproveitam-se do seu povo para enriquecimento próprio e dos seus amigos e os ocidentais defendem a democracia e a liberdade, mas aprovam governos que nunca respeitaram os direitos humanos. Na Rússia também é a mesma coisa e, infelizmente, em todo o mundo é assim. Parece que presidentes como José Mujica são raros, existe apenas um. Podemos desejar mais, mas isso está num planeta a muitos quilómetros de distância e a longos anos luz. Pode ser que um dia o "feitiço se vire contra o feiticeiro". #Política Internacional #EUA #Imprensa