Sabemos que a depressão pode matar,e mata. Mata silenciosamente e é o principal inimigo de muitos profissionais, e especialmente dos profissionais das Forças de Segurança (FS). Os suicídios matam muito mais que as mortes que ocorrem no cumprimento do dever, e é isso que na actualidade verificamos!

No ano passado ocorreram 13 suicídios nas FS; é assustadora esta onda de suicídios que parece não ter fim. Num mês, 2 militares da GNR e 3 agentes da PSP colocaram termo á vida!

Sabemos que as razões por detrás de um suicídio podem envolver diversas causas. Na grande maioria das situações existe, quase obrigatoriamente, um quadro prévio de depressão que antecede esse momento trágico que é o de colocar termo á vida. Todos nós, já fomos um dia surpreendidos pela morte de um colega.

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A depressão pode ser dissimulada, até passar despercebida e sem tratamento em muitas situações até no profissional mais resistente. Mas, de forma infeliz, o silêncio numa instituição policial desencoraja o reconhecimento do problema (depressão) e da doença mental, prejudicando a procura de ajuda técnica. Mas é esse mesmo silêncio que deve ser combatido.

É urgente que quem esteja com problemas, não se remeta ao silêncio, e que peça ajuda sem medos do que quer que seja!

Devemos honrar os profissionais das FS, que morreram no cumprimento do dever. Mas devemos honrar também os que, por um determinado quadro depressivo, colocaram termo à vida, pois também eles serviram a sociedade e arriscaram a própria vida em nome da segurança pública.

Estes profissionais que puseram termo à vida em virtude de problemas de saúde mental ou graves depressões provocados ou agravados pelo serviço dignificante que desempenharam,são frequentemente esquecidos. Os seus nomes serão certamente lembrados em voz baixa nos departamentos pela forma como morreram.

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Essa forma de silêncio contribui para o agravamento deste tipo de casos. Mas eles serão sempre lembrados e nunca esquecidos!!

Digam os nomes em voz alta, falem sobre a forma como morreram, e reconheçam que a depressão esteve por detrás de muitas dessas situações; estarão assim a dar um enorme passo para vencerem esta luta. Para os que partiram, já é tarde, infelizmente...mas irão a tempo de evitar mais suicídios.

Todos sabem o significado de “colega em perigo” e o que devem fazer perante essa circunstância. A depressão significa perigo e pode ser combatida e tratada se todos estiverem alertados e preparados para identificar os possíveis sinais de alerta.

A depressão geralmente ocorre gradualmente e muitas vezes é relacionada com a fadiga, o trabalho e outros factores de stress.Em certos casos, atribui-se mesmo ao cansaço, ao serviço, às relações pessoais e/ou inter-pessoais ou a outras questões.

Existem sinais comuns de depressão que deveriam ser do conhecimento de todos!

O súbito afastamento/isolamento em relação aos colegas; sentir-se triste e sem esperança durante mais de alguns dias; falta de energia, entusiasmo e motivação, quando se costumava ser enérgico, entusiasmado e motivado; dificuldade de concentração; consumo de bebidas alcoólicas de forma desmedida; dificuldade em tomar decisões, estar inquieto, agitado e irritável; aumento ou perda de peso fora do normal; sono em excesso; problemas de memória anormais; sentir-se mal consigo mesmo; raiva e fúria em situações triviais; sentir que não se pode superar as dificuldades da vida; eventos traumáticos recentes; no limite, falar abertamente que se está farto de viver e correr riscos desnecessários

Se notarem que alguém apresenta alguns destes sinais durante mais de alguns dias, intervenham logo que possível, aproximem-se dele/a tentando perceber o que se passa. Se nada fizerem e ignorarem os sinais, os resultados podem ser e serão trágicos. Um dos maiores inimigos dos profissionais das FS é  o suicídio causado por depressão.

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E lembrem-se :

“O suicida, na verdade não quer se matar, mas quer matar a sua dor.”(Augusto Cury) #Polícia