Num mundo em que a tecnologia assumiu definitiva e irremediavelmente o controlo sobre as nossas vidas, é comum assumir- se que ela veio para nos auxiliar e facilitar tarefas que, antigamente, eram demoradas e aborrecidas. A sociedade habituou-se à rapidez na realização de diferentes trabalhos e todos eles convergem no sentido da maior rentabilização possível dos recursos humanos - quanto menos colaboradores a desempenhar uma tarefa, melhor.

Aliás, e sempre que possível, vai-se proporcionando o alargamento das tarefas que cada trabalhador deverá desempenhar correta, empenhada e dinamicamente. Entretanto, o número de despedimentos aumenta, pois são necessários menos colaboradores para executar determinada tarefa.

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Isto sucede em proporcionalidade direta com o aumento exponencial dos lucros de setores empresariais de topo.

Ora, a robotização da sociedade que premeia quem se orgulha de trabalhar 12 ou mais horas por dia e estigmatiza quem o não consegue fazer, acaba por ter um custo elevado, mesmo para as próprias empresas - as únicas a poderem usar ainda da palavra, pois são as detentoras do poder, ou seja, do capital. Perante um funcionário que apresente sintomas de burnout - cansaço e desgaste físico e mental, dificuldade ou mesmo incapacidade de raciocínio, impossibilidade na realização e conclusão de tarefas, crises de ansiedade, angústias, dificuldades em adormecer, insónias, depressões e, por vezes, até mesmo suicídios - a entidade patronal limita-se a algumas medidas de fachada, que em pouco ou nada aliviam o sofrimento dos trabalhadores e, se necessário, despede e contrata novamente "sangue novo", com a energia e vitalidade próprias de quem vai iniciar uma vida de trabalho.

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Quando essa energia for sugada, esvaída e desbaratada ao máximo pela carga horária absurda, turnos rotativos incompatíveis com a vida familiar e acumulação de tarefas absolutamente insuportáveis, então é altura de reiniciar o ciclo: despedir e contratar novamente. Prezam-se, por isso, os contratos a termos e a prestação de serviços (em que o funcionário é facilmente descartável), mantendo o trabalhador em situações limite de dependência da entidade patronal durante mais ou menos tempo, conforme a resistência do mesmo.

Como resistir a tudo isto? Em traços gerais e a longo prazo, comece-se na educação dos mais novos, os futuros trabalhadores e empresários de amanhã; transmita-se na cultura e educação a ideia de que é a humanidade é o bem que prevalece e não o deus dinheiro e o egoísmo; tornem-se as pessoas autossuficientes na criação do próprio trabalho e na produção dos próprios alimentos. A curto prazo e para lidar com situações limite: procura de apoio na família e no médico, recusa em aceitar mais trabalho do que o que considera normal e, em último caso, afastamento da situação geradora de angústia.

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Em qualquer caso, lembre-se que é normal na sociedade dos nossos dias que situações como a que foi aqui abordada ocorram com frequência. O importante é mesmo ter a capacidade de se reerguer e partir à luta uma vez mais, tantas quantas forem necessárias. #Negócios #Casos Médicos #Carreiras