Donald Trump alcançou a sua terceira vitória consecutiva no Nevada, na terça-feira. Esta vitória foi muito mais significativa do que as anteriores da Carolina do Sul e New Hampshire e do que o segundo lugar alcançado no Iowa. Se Ted Cruz teve um primeiro lugar no Iowa, não conseguiu mais do que um 3º lugar na Carolina do Sul; e Marco Rubio tem vindo a perder constantemente; estes dois senadores estão muito longe de serem reais adversários a Trump, que teve no Nevada mais votos do que os seus dois mais directos concorrentes: Trump teve 46%, Rubio 24% e Cruz 21%.

Mas, ainda assim, Ted Cruz não deixou esmorecer os seus apoiantes: "A única campanha que derrotou Donald Trump (Iowa) e a única campanha que pode derrotar Trump é esta campanha".

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Enquanto Rubio simplesmente não fez declarações.

"Adoramos Nevada, adoramos Nevada", exclamava Trump, depois de uma clara vitória de 46% dos votos dos republicanos: "Vocês terão orgulho no vosso presidente e terão orgulho no vosso país". Foi sem dúvida uma vitória entusiasmante para o milionário de Nova Iorque: "Agora estamos a ganhar, ganhar, ganhar, e em breve o país vai começar a ganhar, ganhar, ganhar".

As razões da popularidade de Trump

Trump, que fez fortuna no ramo imobiliário, financia sua própria campanha, por isso não tem os clientelismos nem a pressão de corporações e fundações que financiam outros candidatos. Trump tem um discurso totalmente contra o governo federal corrupto e que não dá resposta às necessidades do quotidiano de parte significativa dos americanos. Esta mais-valia de independência permitiu a Trump criar a sua própria linguagem, sustentada pelo espírito da iniciativa individual, muito associado ao empreendedorismo americano.

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Trump, empresário de sucesso, também teve a visão clara e suficiente para não compartimentar o eleitorado em género ou raça; ele tem um discurso objectivo para os cidadãos americanos e o seu slogan é "tornar a América grande de novo". Trump tem obra própria e soluções. E o povo revê-se nessa qualidade. Entre outros exemplos, Trump garantiu que, a ser presidente, vai processar Hillary Clinton (por se esquivar a uma acusação de negligência no assassinato em 2012 do embaixador americano na Libia); revelar os autores do 11 de Setembro e construir um muro na fronteira do sul com o México para controlar a imigração ilegal.

Os media têm mostrado sondagens que revelam um descontentamento total dos eleitores para com os políticos tradicionais de carreira. E revelam que 3 em cada 5 eleitores querem um presidente que venha de fora do sistema, em vez de um candidato com experiência política; também é essa a percentagem dos que dizem estar "zangados" com o governo federal de Obama. A popularidade de Trump é diversificada e apoiada em diversos estratos sociais: capta a grande maioria os votos dos conservadores e dos moderados; ganha nas zonas urbanas e rurais e é apoiado pelos republicanos com mais habilitações e qualificados.

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E o surpreendente é que Trump capta a maioria do eleitorado cristão evangélico (que deveria pertencer a Ted Cruz) e o eleitorado hispânico da zona eleitoral de Rubio. Trump gaba-se: "Número 1 entre os hispânicos!" e "Adoro os evangélicos!".

Mas Trump também tem mais popularidade do que os anteriores candidatos republicanos e mais do que duplicou os votos de Romney em 2012 no Nevada. Se Romney teve 16.000 votos em 2012, Trump obteve 34.500 agora em 2016. Trump vai actualmente com um total de 420.000 votos, enquanto, na mesma altura, Romney tinha 311.000 votos, e em 2008 Mccain tinha 250.000.

Chris Collins, um republicano de Nova Iorque, justificou a popularidade de Trump: "Ele tem a coragem e a força para colocar as empresas americanas a competirem com a China e lidar com ameaças exteriores como o Estado Islâmico ou Coreia do Norte". #Política Internacional #EUA #Eleições Americanas