Portugal está em crise. #Jovens acabados de sair da faculdade não conseguem arranjar trabalho nas áreas em que se especializaram. Segundo as estimativas provisórias do Instituto Nacional de Estatística (INE) a taxa de desemprego fixou-se nos 11,8%, algo que não acontecia desde abril de 2010. Pode parecer muito bonito, mas continuam a ser 604 mil pessoas desempregadas. Já o #Desemprego entre os jovens também recuou, fixando-se nos 31%, isto referente à população ativa entre os 15 e os 24 anos. São “apenas” 112 mil pessoas nesta faixa etária sem emprego.

Com isto chegou a “máfia laboral”, como lhe chamou o jornal “Expresso”, que se debruçou sobre um recente caso que está a chocar os portugueses: uma empresa começou a aproveitar-se dos jovens que se formaram e não conseguem arranjar trabalho (nem mesmo um estágio curricular).

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Decidida a aproveitar esta oportunidade frágil no mercado de trabalho surge a empresa Work4u, especializada na angariação de estagiários. Esta mesma empresa é apenas a marca utilizada pela entidade LONTRA – a Agência de Marketing e Publicidade para Formação.

Ora então a marca Work4u tem consigo várias oportunidades de estágios (curriculares ou profissionais) e o candidato a estagiário tem de pagar 30 euros à Work4u para ter acesso a não menos de cinco fantásticas entrevistas. Atenção que o pagamento dos 30 euros é mandatório para o candidato a estagiário ter acesso às entrevistas. Se não pagar, não tem acesso. Não há garantia que ao pagar esta quantia o jovem fique na empresa onde foi à entrevista. Não existe a devolução do dinheiro caso não seja aceite no estágio. No caso do jovem ser aceite na empresa acolhedora, mesmo sendo um estágio curricular (talvez sem qualquer tipo de ajudas de custo), tem ainda de pagar uma taxa de “ativação do estágio”, ou seja, mais 30 euros.

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Ao total, o jovem candidato a estágio paga, no mínimo, 60 euros pela fantástica oportunidade de um estágio curricular não pago. Isto sem os custos para a deslocação das entrevistas. Mas as regalias desta empresa excepcional não ficam por aqui.

Seria de pensar que as empresas acolhedoras não teriam de pagar por estes mesmos estagiários, senão porque haviam de estar a pagar a uma empresa para lhes dar este serviço de “outsourcing”? Pois engana-se. Segundo o anúncio da Work4u, as empresas acolhedoras chegam a pagar 95 euros por mês caso o estágio tenha a duração de apenas um mês. Se a empresa optar por ficar com o estagiário durante um ano, existe a especial promoção de pouparem 15 % (um desconto de 171 euros) - pagando no total 969 euros à Work4u, ou seja, 80 euros mensais. Enquanto isso, o jovem estagiário pode não estar a receber nada. Pois a Work4u defende que é a empresa acolhedora que decide o valor mensal de apoio ao estagiário. Isto sempre referente a ajudas de custos: transportes e subsídio de alimentação.

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Enquanto isso, a Work4u recebe 80 euros mensais: renumeração pelo seu excelente serviço de consultoria que prestaram à empresa acolhedora pela angariação de trabalho não pago (peço desculpa, por um estagiário). Afinal de contas, esta é uma excelente oportunidade de trabalho, não é?