Têm vindo a lume, de forma consistente, nalguns meios de comunicação nacionais e internacionais, notícias sobre uma possível reestruturação da Liga dos Campeões. Uma das primeiras surgiu no seguimento da fabulosa (no verdadeiro sentido da palavra) campanha do Leicester City na atual edição da Premier League, na qual surgiu a questão da pertinência de uma equipa como o Leicester City pertencer a uma competição comercializada como integrando os melhores da Europa.

A pertinência é completa. A Champions League reúne os melhores clubes do continente, sem dúvida. Terão estudado, na altura, a melhor maneira de aferir que clubes seriam considerados os melhores, para que competissem juntos, e o resultado lógico foi selecionarem os clubes com a melhor classificação nas respetivas ligas nacionais de cada um deles.

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Objetivamente, parece ser o mais indicado. 

E é-o, sem dúvida. A questão levantada pelas figuras do futebol internacional prende-se, assumimos, meramente com a questão financeira. O argumento utilizado é de que os adeptos preferem sempre ver um Barcelona vs Manchester United a um Gent vs PSV Eindhoven, e por isso, faria todo o sentido que esta nova #Liga dos Campeões integrasse um lote de vagas para determinados clubes, independentemente da sua prestação desportiva na liga doméstica.

Nada poderia estar mais errado, e serve para o demonstrar o entusiasmo que o Leicester tem suscitado a nível internacional com o seu épico confronto com os eternos gigantes do futebol inglês e mundial, fazendo-lhes frente olhos nos olhos, mesmo superando-os. No momento da escrita deste artigo, o Leicester City lidera a Premier League, 5 pontos à frente do 2º classificado, o Tottenham, e 11 pontos do 3º, o Arsenal, e portanto está toda a gente a vibrar com este conto de fadas que os adeptos do clube de Leicester estão a viver.

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É que, para além do mais, na época 2012/13 o Leicester estava na 2.ª divisão Inglesa, tendo subido a custo, e mantendo até chegar à época atual e fazer o milagre do futebol. 

O sistema de relegação/promoção do futebol europeu é o melhor. Não há volta a dar, é o melhor. Implica que qualquer clube possa, teorica e eventualmente, subir até chegar à liga de topo. Foi isso que aconteceu ao Arouca, que em 2012/2013 estava na 2.ª divisão e agora luta para chegar à Liga Europa, e é isso que está a acontecer ao FC Famalicão, que subiu para a II Liga esta época e está já na faixa de promoção para chegar à I Liga. Todos nós os apoiamos contra as expectativas do mundo. É esta capacidade que os clubes têm de se elevarem acima deles próprios e das expetativas que lhes são impostas que torna o futebol interessante. Da mesma forma, os clubes têm que merecer a subida de escalão, ou qualificação para outras competições de maior prestígio.

Estas ameaças de reestruturação vêm ameaçar esta capacidade e esta mobilidade, efetivamente estancando o futebol num coletivo de clubes que passam a ser instituições, desinteressadas dos adeptos.

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Ninguém quer ser campeão de uma coisa que não diz nada a ninguém, e eventualmente cansar-nos-emos de vermos sempre Barcelona vs Manchester United's se os Leicester City's deste mundo não se puderem elevar ao atrevimento de os desafiar.