As entidades empregadoras têm vindo a demonstrar ao longo dos anos uma enorme insensibilidade perante quem se encontra num dos piores dilemas da vida: ter estudado, ter frequentado o Ensino Superior e muitas vezes cursos complementares e ter de sujeitar-se aos critérios dos recrutadores

A estes profissionais é dado um espaço social que lhes permite decidir o futuro da vida de jovens desempregados, famílias monoparentais e pessoas bem formadas. O critério de escolha passa muitas vezes por departamentos de recursos humanos excessivamente exigentes e que não têm o discernimento suficiente para perceber que, ao não aceitarem um profissional qualificado em detrimento de outros candidatos, estão a agravar o nível de precariedade e de injustiça social vividas em Portugal.

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Eu encontro-me numa destas situações. Tenho 44 anos, sou solteiro e vivo ainda com os meus pais e irmãos. Tenho o 12º ano de escolaridade e frequentei a universidade. Tenho o 4º ano completo do curso superior de Relações Internacionais, no ramo Económicas e Políticas. Trabalhei ao todo cerca de um ano. Enviei e tenho enviado dezenas - centenas - de respostas a anúncios de emprego e ou não me chamam para entrevista ou, se chamam, sou preterido sem ficar a saber em que é que errei, sem receber qualquer feedback que me permita melhorar.

Outro factor que importa salientar é que mesmo com os Planos de Estudos de Bolonha, as universidades nem sempre oferecem saídas profissionais ou um Estágio Profissional garantido. Nesses casos resta apenas a um finalista inscrever-se no Centros de Emprego e aguardar.

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Aguardar por tempo indeterminado, uma vez que o Centro Emprego não consegue obter colocação para todos os candidatos.

De há uns anos a esta parte a #Emigração tem-se tornado a única saída possível para muitos recém-licenciados, que partem levando consigo a esperança de encontrar um trabalho digno e com boas condições.

Dizia recentemente o actual Primeiro-Ministro: "O emprego é uma questão de cidadania". Eu desejo que esta frase se torne realidade. #Desemprego