A 11 de Agosto de 2008, um menor de 13 anos de etnia cigana foi atingido acidentalmente a tiro por um militar da GNR (Hugo Ernano). Os factos ocorrem durante uma perseguição policial a uma carrinha após o assalto a uma vacaria, tendo o condutor desrespeitado uma ordem policial para parar e depois uma tentativa de atropelamento do próprio militar da GNR em Santo Antão do Tojal, concelho de Loures.

Nessa mesma carrinha, além do menor, seguiam ainda mais dois homens. Um deles era o próprio pai do menor, que na altura se encontrava evadido do Centro Prisional de Alcoentre, e que foi posteriormente condenado apenas a dois anos e dez meses de prisão efectiva somente pelos crimes de resistência e desobediência, prestação de falsas declarações e de coação sobre funcionários.

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O pai levou o menor para um assalto e, como se isso não fosse o suficiente, ainda o transportou no interior de uma viatura em fuga a “alta velocidade” das autoridades policiais.

Em 2013, Hugo Ernano enfrentou um processo-crime, tendo sido condenado pelo Tribunal da Relação a quatro anos de pena suspensa e ao pagamento de uma indemnização de 50 mil euros. E isso revelou-se uma pena benigna, tendo em conta que o Tribunal de Primeira Instância de Loures o havia condenado a 9 anos de cadeia, a pena mais pesada que a #Justiça portuguesa sentenciou a um elemento das forças de segurança.

Obviamente, Hugo Ernano accionou vários recursos: Tribunal de Relação, Tribunal Constitucional e o Supremo Tribunal, embora este último tenha sido a pedido da família da vitima, para que a indemnização fosse aumentada.

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Eles não apresentaram qualquer interesse em agravar a condenação do militar, apenas se encontravam focados no aumento do valor da indemnização; para eles o mais importante era conseguirem mais dinheiro, e conseguiram, pois o Supremo aumentou ainda mais o valor. De 45 mil passou para 50 mil euros. Um pai leva um filho para um assalto, colocando-o em perigo (dada a perseguição policial que obrigatoriamente teria de se seguir ao desrespeito à ordem dos agentes) e ainda “ganha” 50 mil euros. A conclusão é que o crime compensa mesmo...

Esta quinta-feira, Hugo Ernano foi finalmente notificado da decisão do Ministério da Administração Interna, no processo disciplinar aberto na sequência da morte do menor. O militar da GNR foi suspenso. na sequência desse mesmo processo disciplinar. Foi-lhe hoje aplicada uma suspensão agravada pelo período de 240 dias (8 meses). Durante esse mesmo período, vai apenas receber um terço do salário. Não convém esquecer que ele é casado, e tem 2 filhos ao seu encargo, um deles ainda com menos de 4 anos.

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Podemos ler na comunicação social de hoje o que Hugo Ernano disse quando tomou conhecimento da suspensão: "Dizer que me sinto revoltado é muito brando. Quero ver o que vou fazer com a minha vida, pois tenho família, mulher e dois filhos". Lê-se ainda também, que ninguém conseguiu dizer-lhe até hoje "onde é que falhou" na sua actuação enquanto militar da GNR. Encontra-se de baixa médica por mais um mês, e é previsível que comece a cumprir a suspensão a partir do mês de maio. #Polícia