Sou pai de uma atleta sub14, já fui filho em idade escolar que praticava desporto, tenho experiência, já li e ouvi muitos especialistas nesta matéria. Castigar um filho ou filha que tem más notas, retirando-lhe a prática do desporto ou de uma actividade artística, acreditando que por si só, resolve tudo, não só é errado, como pode ter efeitos catastróficos na formação da criança/adolescente/atleta.

Isto não é uma critica, é apenas uma constatação na primeira e na segunda pessoa. Apelo à reflexão: todos nós tentamos fazer o que achamos que é melhor para o nosso educando, mas primeiro e mais importante, é conhecê-los bem, e em equipa encontrar a melhor solução para ultrapassar as dificuldades que surjam.

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É importante perceber de uma vez por todas que o desporto é benéfico em todos os aspectos na formação de um/a jovem, sejam eles físicos ou mentais, e que ambos se irão reflectir ao longo da vida.

Quando se proíbe a actividade desportiva ou artísticas, devido às más notas escolares, muitas vezes está a dar-se sinais errados ao educando. Quando no inicio da época se inscreve um educando num clube, é assinado pelo encarregado de #Educação um compromisso com esse clube, com os colegas de equipa, com os dirigentes e com os treinadores, e até mesmo com os seus adeptos, e esse compromisso deve ser cumprido sempre. À partida, quando se castiga, estamos a exigir ao nosso educando que tem que ser mais responsável e trabalhar mais e melhor, para melhorar as notas, mas ao retirar-lhe a prática da actividade desportiva, estamos a enviar-lhe uma mensagem contraditória, ou seja, estamos a retirar-lhe uma responsabilidade, para melhorar outra, a performance escolar.

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Não sendo contra a aplicação de castigo, por vezes vezes necessário, sou mais apologista do diálogo, do elogio/incentivo não material, e de vez em quando, e dentro do possível, um ou outro "prémio". Mas caso a caso, deve ser ponderada qual a melhor opção, pois é certo nem sempre acertamos.

No entanto, não devemos esquecer-nos que hoje em dia existem imensas coisas que fazem com que o nosso educando perca o foco do estudo, e essas sim devem ser as primeiras que devemos privá-los de usufruir. Não tanto como castigo, mas como uma ordem ou regra temporária: o computador, internet, as redes sociais, os telemóveis, consolas e jogos virtuais, ver televisão, ouvir musica ou rádio, sair com os amigos/as e namorados/as etc.

Ninguém nasce ensinado a organizar o seu próprio tempo

E depois muitos esquecem-se de ajudá-los a organizar e usar o seu tempo, a melhorar a metodologia de estudo em casa, falar com os professores ou director de turma, para perceber melhor onde está o bloqueio, que nem sempre é exclusivo do nosso educando.

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Há vários factores sociológicos que podem estar a condicionar o aproveitamento escolar. Nem sempre se dá importância aos bons hábitos diários, como dormir bem e o suficiente, ter uma alimentação saudável, um bom ambiente familiar, contribuir nas tarefas familiares, manter o quarto arrumado e manter o e material de estudo organizado. E tudo isto é tão importante.

À partida é mais fácil, retirar primeiro o desporto, que é tão benéfico para a saúde dos jovens. Mas este acto isolado não só não resultará como poderá ter efeito contrário.

Um treinador com maturidade e um clube responsável, preocupa-se e procura ajudar os atletas a nível escolar também, e coloca aos seus atletas responsabilidades escolares, para que se mantenham focados e com boas notas. Uma equipa funciona sempre como tal, e se um/a atleta precisa de auxilio, deve sempre haver alguém disponível para ajudar.

Todos na vida fazemos parte de várias equipas. Mas muitos não sabem jogar em equipa... Só trabalhando em equipa conseguimos ultrapassar, resolver, as dificuldades e os problemas com que nos deparamos todos os dias. Tanto na vida, como no desporto, a vitória ou a derrota fazem parte, e nunca são mérito ou responsabilidade exclusivamente individuais. #Futebol