Lazareto Novo ou Asilo 28 de Maio, em Porto Brandão, é um monumento que foi votado ao esquecimento. Ali se passaram muitas histórias de relevo que, por pouco divulgadas, ficam no esquecimento, sendo apagadas das nossas memórias. Pedaços da nossa #História, observar o passado para que se mantenham vivas memórias que simbolizam a paixão, amor, dor e poder provenientes dos nossos antepassados. O que nos leva a imaginar e fantasiar; tudo o que já foi torna-se mais perto. Gosto de história, de sacudir o pó, tirar as teias de aranha e apaixonar-me por Portugal.

Uma das carreiras fluviais que na área de Lisboa fazem a travessia do Tejo, e a única que além de passageiros ainda, supostamente, transporta viaturas ligeiras entre as duas margens do rio, liga Belém, em Lisboa, na margem norte, à Vila da Trafaria, no Concelho de Almada, na margem sul, fazendo, durante este percurso de cerca de 30 minutos, uma breve escala na localidade de Porto Brandão que, apesar de pequena e modesta, é bem conhecida pelos seus restaurantes cuja especialidade são os pratos de peixe, marisco e outros frutos do mar.

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Fazendo a travessia de barco, ao chegar a Porto Brandão é possível avistar numa colina do lado direito, sobranceira à vila e ao rio, uma enigmática estrutura arquitectónica de grande dimensão, comparativamente com o tipo das edificações locais, apresentando-se, porém, com um aspecto abandonado e já parcialmente em ruínas.

No local da imponente estrutura, uma paisagem urbanística tão humilde como é a do Porto Brandão espicaça naturalmente a curiosidade de qualquer viajante mais dado à descoberta dos pormenores esquecidos da nossa História. E assim se descobre a história do antigo Lazareto de Lisboa.

O Lazareto, construído na encosta de Porto Brandão em 1869, era um edifício próprio para as quarentenas, isolado e destinado a receber e tratar os viajantes e desinfectar objectos, tais como as suas bagagens provenientes de territórios onde, pela insalubridade, se verificasse a possibilidade de existirem doenças epidémicas e contagiosas, no tempo das grandes viagens marítimas intercontinentais, nomeadamente, no caso português, as oriundas de África, do Brasil e das Índias.

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Os comandantes dos navios dessas carreiras tinham o poder de isolar a bordo (pôr de quarentena) qualquer pessoa, passageiro ou tripulante, imediatamente à mínima suspeita ou sinal de doença. Depois, na chegada à capital do reino, esse navio, antes de aportar em Lisboa, desembarcava os doentes e os seus pertences no Porto Brandão, num cais próprio, de onde as pessoas seguiam depois para o Lazareto, para um período obrigatório de quarentena e eventual tratamento, e os objectos para desinfecção em estufas aquecidas por vapor, que se designavam por “armazéns” ou, nos casos mais graves, mesmo com vapores de ácido sulfuroso.

Os viajantes submetidos à quarentena ficavam sujeitos a uma forte vigilância e, isolados, não tinham outro remédio senão esperar. Segundo se consta, um professor, José Júlio Rodrigues, após a sua chegada ao Lazareto esteve incomunicável durante vários dias, acabando por falecer de uma doença cujo motivo ainda hoje é desconhecido.

Rafael Bordalo Pinheiro, criador do famoso ícone Zé Povinho, tornado símbolo representativo do povo português, foi outro ilustre compatriota que passou por um internamento de quarentena no Lazareto no regresso da sua viagem ao Brasil.

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Na sequência desse acontecimento na sua vida, escreveu um livro com o título “No Lazareto de Lisboa”, publicado em 1881, o qual, para a felicidade de quem deseja mais informação do Lazareto, pode ser facilmente encontrado na Internet.