A Académica foi despromovida à II Liga, mas para um antigo estudante a residir longe de Coimbra, este momento é empolgante. A demissão de José Eduardo Simões (JES) pode significar o fim do paradigma actual, que é de afastamento em relação aos estudantes e de ignorância dos antigos estudantes e do potencial que a Académica tem para ser um clube nacional.

Em nome dos adeptos e simpatizantes que não vão estar presentes na Assembleia Geral do Organismo Autónomo de Futebol (OAF) e/ou não vão votar nas eleições de 11 de Junho, fica um apelo aos associados e à próxima direcção: pensem a longo prazo, renovando a atenção do OAF aos estudantes actuais e aos antigos estudantes.

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A culpa da situação actual não é somente de JES. Já em 2000-01 (pelo menos), os caloiros que chegavam a Coimbra já eram confrontados com esta situação: os doutores, em geral, mantinham a lealdade "estarola" que traziam da sua infância, e para o OAF restava a simpatia indulgente que ainda hoje vemos. O OAF era totalmente inexistente nas faculdades, nos bares, nas ruas, nos "corações e mentes".

Porém, a página de Facebook oficial do OAF é a 4.ª com mais "gostos", entre os clubes nacionais, demonstrando o que se está a desperdiçar. Mesmo que para muitos desses "gostos" a prioridade vá para um clube "estarola", o potencial está lá.

Coimbra para sempre

Os antigos estudantes, de há anos a esta parte, saem de Coimbra sem chegar a desenvolver uma relação com o OAF. Muitos deles estarão definitivamente perdidos para o estarolismo.

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Mas têm uma relação muito próxima e simpática com Coimbra e com a sua memória dos tempos de estudante. É por aí que o OAF pode chegar aos corações desses estudantes.

O apelo que fica é que a próxima direcção invista fortemente em dois pontos essenciais para o futuro do OAF e/ou da ideia de futebol profissional da Académica:

  • É precisar chegar aos antigos estudantes. Hoje em dia, essa relação é mantida, basicamente, graças à dedicação dos Relatos da RUC. O blog "Eternamente ACC", num post intitulado "Ser sócio da Académica #4", demonstrou claramente o que deve ser feito para chegar aos antigos estudantes. Se acharmos caro espalhar Casas da Académica pelo país, haverá formas de poupar mais ainda; esqueçam a sede física (onde e enquanto não se justificar) e proponham parcerias com cafés, restaurantes e outros, que recebam os sócios de forma condigna nos dias e à hora dos jogos da Briosa.
    • os antigos estudantes estão nas redes sociais; pensemos em formas de os envolver por essa via.
    • Os antigos estudantes não vão a Coimbra só para ver um jogo. Vão para rever amigos, mostrar a cidade às suas famílias, almoçar. Toda a cidade tem interesse em manter os laços com os seus antigos "filhos", principalmente ao fim-de-semana. O OAF tem que falar com os restaurantes, com a Universidade, com a DG, com as "forças vivas" de Coimbra, e deixar as ideias aparecer.

  • É preciso chegar aos estudantes. Pode passar por serem sócios gratuitamente, por bilhetes gratuitos a quem for estudante e se apresentar com as cores da Briosa no estádio, por ter os jogadores nas faculdades, por muitas boas ideias que se têm falado. Mas está na hora de os estudantes deixarem o estarolismo na escola secundária.

Investir fortemente, como vimos, passa tanto ou mais por ideias e atitude do que por dinheiro em campanhas de marketing.

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O que está em causa é o potencial da marca, que está há tantos anos a ser desperdiçado.

Além da organização propriamente do futebol, é hora de cuidarmos da nossa marca. Fica o apelo. #Primeira Liga Portuguesa