falámos aqui que o OAF se deveria voltar para os antigos estudantes espalhados pelo país e pelo mundo. Aprofundemos um pouco este tema, uma vez que haverá o receio de que esses antigos estudantes sejam, na grande maioria, estarolas sem remédio.

Os adeptos mais puristas optam, geralmente, por se demarcar assertivamente dos "camaleões", adeptos de um clube estarola que até simpatizam com a Briosa mas mantêm o estarola como primeira opção. É um factor de identidade importante. Mas não é necessariamente uma boa estratégia para convertê-los a 100% e fazer a Briosa crescer.

Sobre os camaleões em Coimbra, deverá falar quem esteja em Coimbra e viva diariamente essa realidade.

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A gestão de marca do OAF e o 'split' OAF/SF são temas complexos. Fiquemos, por agora, com os simpatizantes no resto do país - lembremo-nos, novamente, dos 150.000 "likes" da página oficial de Facebook do OAF.

Definir o "camaleão"

Esqueçamos as caixas de comentários das redes sociais. Adeptos que se dão ao trabalho de escrever que "até sou da Académica mas só joga bem contra o Benfica, é uma vergonha" só são "camaleões" na sua imaginação. O verdadeiro camaleão sente-se dividido entre a Académica e o clube estarola; compreende o ponto de vista das equipas que lutam pela manutenção; e tem coisas mais importantes para fazer na vida que vir reclamar para as páginas dos adeptos da Briosa. Em todo o caso, terá como primeiro clube o estarola e poderá pagar bilhete no Cidade de Coimbra para ir apoiá-lo.

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Estarolismo nos antigos estudantes

Existem dois factores poderosos que condicionam o estarolismo nos antigos estudantes da Universidade de Coimbra:

  • O corte entre os estudantes e o seu próprio clube, tema de que já falámos e é bem conhecido.
  • O corte com a academia e o regresso a um "país real" onde só há 3 clubes. Seja entre os pais, a família, os amigos, num novo emprego ou numa nova cidade, no desemprego ou na precariedade, na comunicação social e no Facebook, o antigo estudante ver-se-á submerso em estarolismo.

"Os Sítios Sem Resposta", de Joel Neto, conta a história de um homem desiludido com a vida e que decide mudar de clube, de um estarola para outro. O escritor desenvolve o tema frisando que isto causou um corte na relação do protagonista com o pai, pois era um corte com um conjunto de emoções e histórias vividas em conjunto. Como disse o brasileiro Eduardo Galeano, "Um homem pode mudar de mulher, de partido político ou de religião, mas não de time de futebol". Não bastasse o peso da opinião, do hábito, da comunicação social tendenciosa, etc., este factor emocional é um grande obstáculo à conversão definitiva dos camaleões para a Briosa.

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O estarolismo como uma doença

É preciso encarar os camaleões não como traidores, mas como os membros afastados da família que foram infectados por uma doença grave. Eles precisam de apoio e compreensão. Precisam de alguma evangelização da nossa parte. Precisam que seja o clube a dar o primeiro passo, com uma nova mentalidade e atitude da parte da direcção do OAF. É preciso que a Académica se torne atractiva, dinâmica e convidativa e é aqui que entram as ideias de que já se falou, aqui e noutros blogues e páginas, e certamente se falarão na Assembleia Geral. (Estratégia que diz respeito a todos, e não só aos camaleões "de fora".)

É preciso, de forma firme e continuada, demonstrar o quão tendenciosa é a comunicação social, a forma como os três clubes estarolas se comportam, no geral (veja-se a negociação individualizada de direitos televisivos), e como o verdadeiro desportivismo "à Leicester" se encontra entre nós.

E é preciso também que a Académica se dê ao respeito; seja tendo sempre o estádio cheio, seja exigindo explicações oficiais sobre o facto de uma claque de um clube estarola ter roubado uma faixa da Mancha Negra. Grande parte dos camaleões ligados a esse clube nem terão tido conhecimento.

Depois de esse caminho estar feito, talvez o camaleão comece a pensar até que ponto vale a pena apoiar um clube estarola contra o seu próprio clube. #Primeira Liga Portuguesa