Certamente que você já deve conhecer Donald Trump, o polémico bilionário a concorrer à presidência dos Estados Unidos, e que já é o mais que provável nomeado republicano, visto não ter concorrência nesta altura. Ao ver os discursos em que ele insulta imigrantes, mexicanos e muçulmanos e às vezes chega mesmo a proferir comentários machistas, pensa que ele não tem hipóteses de ser eleito presidente.

Mas olhe que está bem enganado; eu pensava o mesmo antes mas as coisas estão a mudar, e os Americanos começam a ver em Trump alguém com capacidade para devolver o poder do governo e do país às pessoas. É essa a grande mensagem não só da campanha de Trump mas também de Sanders, embora a nível de ideologias sejam muito diferentes.

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Hillary Clinton caminha para a nomeação democrata mas há muitos problemas. Ela está a ser investigada pelo FBI por causa de ter usado o seu email privado para assuntos de estado durante o seu mandato como Secretária de Estado, terá dado vários discursos a Wall Street tendo sido paga em centenas de milhares de dólares, já apoiou o fracking, foi contra o casamento homossexual e votou a favor da Guerra no Iraque no início deste século. O seu baixo nível de consistência é uma preocupação, e como devem saber Trump não é lá muito 'soft' no que toca a atacar os outros e por isso poderemos ver uma chuva de ataques durante a eleição geral, caso estes dois candidatos se confirmem. Hillary é uma candidata fraca, pois há muito onde atacá-la; Trump também tem os seus pontos fracos, que podem ser usados por Hillary, mas a verdade é que ele está lançado para surpreender.

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Há uns meses podíamos dizer, segundo as sondagens, que Trump não era ameaça para ninguém, mas as últimas sondagens mostram-no mesmo à frente da Hillary, uma delas coloca-o 5 pontos à frente. Isso é motivo de preocupação, ainda para mais quando Trump já não tem adversários pela frente e a provável nomeada democrata ainda tem Bernie Sanders, que tem surpreendido tudo e todos ao manter-se na corrida por um tempo considerável. Mas não é o facto de Hillary ser fraca que deve preocupar mais os Democratas e o mundo em geral, é a divisão que começa a surgir no Partido Democrata.

A ala progressiva e liberal do partido começa a libertar-se e já pede a demissão da líder do partido, Debbie Wasserman Schultz, que acusou Sanders de ter incendiado ainda mais as coisas após acusações de violência na Convenção Democrata no Nevada, da qual, porém, ainda não tem provas claras. Além disso, Debbie tem sido criticada pelas várias fraudes ao longo das Primárias Democratas, que têm prejudicado Bernie Sanders; até mesmo os média já se posicionam contra ela, afirmando que o Partido está a favorecer a candidata do establishment e a prejudicar o outsider.

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Mas também Barbara Boxer, senadora pela Califórnia e apoiante de Hillary Clinton, começa a ficar sob brasas após ter dito que chegou a temer pela sua segurança na Convenção Democrática no Nevada, por culpa dos apoiantes de Bernie Sanders, mas surgiu pouco depois um vídeo em que ela aparecia a mandar beijos para as pessoas lá presentes.

Esta divisão faz-me crer que Trump vai ser presidente e insisto aqui que, se Trump ganhar, a culpa não é de Bernie Sanders mas sim de Hillary Clinton, que não tem força suficiente e poder para levar a melhor. Ele está a fazer a coisa certa ao manter-se na corrida, com o objetivo de lutar por um partido mais à esquerda e mais perto dos seus valores. Hillary tem que o reconhecer e procurar uma solução para unificar o partido, mas para isso o Partido Democrata precisará de uma grande reforma. Se essa reforma não acontecer antes da eleição, então Trump será eleito. Pode ser que até seja bom presidente mas como se diz, tudo é possível. #Política Internacional #EUA #Eleições Americanas