Desde sempre que a figura feminina está associada à maternidade. A antiga civilização ocidental desprezava e desconsiderava o papel da mulher em sociedade, afastando-a para segundo plano e louvando-lhe apenas a essencial capacidade reprodutora. Durante muito tempo a maternidade foi vista como um dever da mulher, o auge das suas realizações, o seu único objetivo existencial, o sonho pelo qual deveria orientar a sua vida.

A própria sociedade contemporânea, em si, perspetiva o ser-se mãe como mais uma etapa comum na vida de uma mulher, logo a seguir à do casamento. Fugir à regra ainda é algo mal visto, alvo de bisbilhotice no local de trabalho, alvo de conversa à mesa do jantar, alvo de cavaqueira no portão da vizinha.

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O “Não quer estragar o corpo” é uma das opiniões que acabam por vir sempre à baila, nem que seja para silenciar quem ainda se mostre reticente quanto às razões para a inexistência de filhos.Há, de facto, quem não os queira ter e com certeza encontre motivos tão válidos quanto os que os querem de alma e coração.

Mas há também quem deseje a maternidade como nenhuma outra coisa, mas que esteja impossibilitada de engravidar do seu próprio filho. Há mulheres que se votam ao silêncio quando são questionadas acerca da maternidade. O assunto ainda é um dos tabus da sociedade, pelo que ainda não há preparação para torná-lo público. Não se trata aqui de uma questão de escolher, de ter vontade, ou de querer. São fatores ováricos, tubáricos ou vaginais que impedem a gestação de um filho de sangue. Esta questão da infertilidade voltou ao debate esta sexta-feira, com a aprovação, na Assembleia da República, da gestação de substituição.

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Uma vitória para o inconformismo e insatisfação. Um triunfo para as mães que lutam todos os dias pelo seu bebé.

A opção por uma barriga de aluguer torna-se cada vez mais real para a resolução de um problema que afeta ainda uma grande parte das mulheres. Estima-se mesmo que cerca de 10 a 15% da população mundial feminina em idade reprodutiva sofra de endometriose, uma das principais causas de infertilidade feminina.

A opção por uma barriga de aluguer é viável para estas situações, porque não se trata de um bebé de uma outra mulher, trata-se, isso sim, da transferência de um embrião, concebido genética e biologicamente por um casal, para uma barriga de uma mulher saudável. É preciso perceber que a mulher que sofre de endometriose não está impossibilitada de conceber. O seu útero doente é que a torna incapaz para uma gravidez, impossibilitando o crescimento e o desenvolvimento do embrião. Mas existe agora esperança renovada para quem já se cansou de exames, de tratamentos, de abortos espontâneos, de lutas inglórias contra uma doença silenciosa.

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Esta sexta-feira, 13 de Maio, foi muito mais do que um dia de superstição e de milagres. Foi a vitória do direito a ser-se mãe. A maternidade, que antes já foi um dever de mulher, tornou-se um direito da população feminina. Esta sexta-feira, a mulher portuguesa conquistou mais um dos seus #Direitos. #Casos Médicos #Legislação