Ser #Polícia parece realmente ser uma profissão atraente para muitos, mas a realidade é que nem todos a escolhem porque perseguiram desde criança a ideia de prender os maus e defender os bons, como os super-heróis, ou porque realmente é isso que querem e desejam. Muitos olham para a polícia como uma rápida saída para a falta de emprego e como vencimento garantido. Mas o que acontece na verdade é diferente.

Ser polícia é saber de antemão que vão ter que viver longe das famílias e dos amigos, que vão ter que morar em quartos alugados ou em camaratas. Já para não falar que muitas vezes encontrarão más condições de trabalho nas esquadras e postos degradados, terão que utilizar viaturas antigas e terão uma sobrecarga horária não remunerada; e além de tudo isso, terão ainda que lidar com uma certa indiferença hierárquica que muitas vezes empurra os profissionais de polícia para o cansaço e para a exaustão.

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Depois de terminarem o curso na Escola Prática de Polícia, os novos agentes são colocados muitas vezes longe da família e com isso, obviamente, aparecem as despesas a duplicar.

O regime de trabalho a que são obrigados é de disponibilidade total, por turnos, e sempre com hora certa de entrada e incerta na hora de saída.

Cada novo polícia leva 10 anos ou mais até conseguir ser colocado no Comando do seu distrito de origem.

E não é por acaso que nas Forças de Segurança a taxa de divórcio é muito superior à média das outras profissões.

Já para não falar que muitas vezes os polícias são obrigados a trabalhar sem descanso por contingências do próprio serviço, com falta de fardamento e de equipamento e ainda com viaturas velhas e avariadas,

É do conhecimento geral que os polícias actuam diariamente em cenários de violência e grande pressão.

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Quase sempre debaixo de um enorme stress, são chamados a ocorrências onde os intervenientes são vítimas dos mais variados crimes.

Além disso, todas as ocorrências vividas por eles são registadas, participadas e obrigadas a serem memorizadas, para que mais tarde em tribunal, durante os depoimentos que necessitam de efectuar, possam ser relembradas ao pormenor.

Infelizmente em Portugal, os nossos policias morrem mais às suas próprias mãos do que às mãos dos criminosos. Só no ano passado (2015), 15 polícias (7 GNRs e 8 PSPs) colocaram termo à própria vida. E no ano corrente, já três elementos das Forças de Segurança colocaram também termo à vida. Um ponto em comum a todos eles? Grande parte deles recorreu a própria arma de serviço para cometer o suicídio!!

O suicídio de um agente da PSP ou de um militar da GNR obviamente provoca sempre uma enorme mistura de sentimentos a todos os restantes elementos das forças de segurança.

Mas, segundo a edição on-line da revista TV Mais, para as chefias e direcções policiais, pelos vistos, as causas dos suicídios são exteriores e têm origem em questões de ordem emocional ou financeira, descartando logo à partida que os motivos possam eventualmente ser causados pela actividade profissional...

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Mas agora deixo-vos com uma questão: se a razão não é profissional, por que a agente da PSP do Porto deixou um bilhete a avisar que não queria fardados no seu funeral? Porque é que o último militar da GNR a colocar termo à sua vida, o fez devidamente fardado? Perguntas sem resposta, mas que fazem pensar....