Este é mais um livro mágico, belo e enternecedor de Yann Martel, que tem como cenário de fundo o nosso Portugal. Definido como extraordinário e excepcional em diversas críticas literárias, ler este livro é, em resumo, mergulhar numa profunda reflexão sobre a vida, na sua efemeridade e inconstância, mas também na sua beleza e encanto. Faz-nos questionar o verdadeiro sentido da vida e a necessidade de procurar algo que lhe dê significado e a valorize.

Como comentou o San Francisco Chronicle, “tal como A Vida de Pi, este livro é ousado e inteligente na abordagem à existência e espiritualidade. Enche as medidas”. Não encontraria melhores palavras para descrever esta obra surpreendente e tocante pela sua abordagem tão genuína e marcante sobre a fragilidade da existência.

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Uma viagem a três tempos, três histórias que decorrem em diferentes décadas, distantes entre si, ao longo do século XX.

Cada um dos capítulos, que, à primeira vista aparentam ser histórias independentes, acaba por revelar ligações fulcrais com a narrativa anterior. São estas interligações entre os capítulos que, gradualmente, nos permitem perceber que estamos perante diferentes etapas de uma longa jornada de descoberta do verdadeiro sentido da vida e da morte, do significado do amor e das consequências e saudade resultantes da dor extrema de perder alguém que muito amamos. Em simultâneo, é também o retrato da busca de si próprio, da demanda pela verdadeira essência enquanto indivíduo, do que é realmente importante e valioso, aquilo que muitas vezes passamos a vida inteira a procurar e que desejamos encontrar, nem que seja apenas imediatamente antes do derradeiro suspiro.

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As abordagens são diversas, mas acabam todas por convergir todas para um mesmo objectivo, desde as mais intensas inquietações da alma, aos medos perante os desafios e os obstáculos que se atravessam no caminho, desde mostrar acontecimentos e situações que, mesmo que durem apenas breves instantes, podem mudar para sempre a vida de todos os envolvidos, transformando-a para melhor ou para pior, até à necessidade de encontrar um reconforto espiritual.

Os próprios títulos dos capítulos denunciam que estamos diante de um percurso: “Sem Casa”, “Para Casa” e “Em casa”. No entanto, apenas ao longo do livro vamos identificando o que se pretende dar a entender, os pontos em comum entre cada parte, qual o propósito último do livro.

Em suma, esta é uma viagem de regresso às origens, uma busca pela identidade individual e colectiva, um emocionante hino à vida, que transpõe as barreiras da convencional visão do Homem, inclusive da interpretação da imagem religiosa, e do que pode existir para além do que tradicionalmente é visto e aceite como verdade inquestionável ou como real e imaginário.

Um roteiro deslumbrante e inspirador, repleto de aventuras e emoção, que o vai fazer sorrir e chorar e, sobretudo, analisar a existência humana e a consciência moral sob uma perspectiva renovada e mais lúcida. #Livros #Literatura