Hugo Ernano é um militar da GNR, tem 37 anos, é pai de uma menina com 11 anos e de um menino com 3 anos. A sua esposa recebe apenas o ordenado mínimo (530€).

Ao que parece, para o Estado português, como Hugo Ernano, (que está suspenso até ao final do ano e a ganhar apenas ⅓ do seu ordenado) recebeu 16,38 euros no mês de junho e 149 euros no mês de julho, não cumpre os requisitos para que lhe seja reconhecida insuficiência económica. E como não consegue arranjar um atestado em que conste que está mesmo a viver com insuficiência económica, tal facto impossibilita o jornal Correio da Manhã de criar uma conta solidária para angariar apoio para o Hugo Ernano e família.

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Mais uma vez, este militar da GNR está a ser injustiçado, pois até os aspectos burocráticos o impedem de ser ajudado. O Correio da Manhã pretendia ajudá-lo, mas está a ser impedido por questões burocráticas. Realmente o militar em questão foi suspenso por oito meses com corte de dois terços do salário de 850€. Neste momento, teria que estar a receber 283 €/mês mas, apesar disso, ainda lhe foram aplicados descontos de um empréstimo para a defesa judicial e dos descontos para a Caixa Geral de Aposentações. Mas se ele se encontrava em serviço quando tudo aconteceu, não deveria ter sido a própria instituição (GNR) a pagar a sua defesa?

A pena da suspensão com menos ⅔ do ordenado foi aprovada pela ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa. O caso aconteceu em Loures em 2008, quando Hugo Ernano, ao tentar parar uma carrinha em fuga em direção a várias crianças, acabou por atingir mortalmente e de forma acidental um rapaz de 13 anos que o pai tinha levado para um assalto e que, além disso, manteve escondido na traseira da viatura durante a perseguição policial que ele próprio iniciou quando desrespeitou a ordem policial para parar e tentou atropelar o militar.

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Mas mesmo com a sua segurança ameaçada e a sua vida em risco, Hugo Ernano não recuou e não desistiu de cumprir o seu dever, como agente de autoridade que é. Existiu uma vítima mortal, mas caso o militar da GNR em questão nada tivesse feito, certamente teriam existido muitas mais!

O militar da GNR afirmou ainda ao mesmo jornal (Correio da Manhã) que "além da caridade das pessoas, tenho o apoio dos meus camaradas e da educadora do meu filho, que me ajuda a pagar a renda. Quem paga casa com 16 euros? E a creche (200€)? E o resto?".

Pois é, será que alguém consegue isso com 16 euros? Acho que ninguém.

A insuficiência económica de Hugo Ernano deveria ser reconhecida obrigatoriamente pela União das Freguesias de Santo António dos Cavaleiros e Frielas, onde o militar da GNR e a sua família têm residência. Ao Correio da Manhã, a presidente da junta, Glória Maria Trindade, explicou que ele "nunca teria direito à insuficiência económica com um ordenado de GNR, mesmo cortado em 2/3". E tudo isso porque o corte aplicado é considerado provisório e é assim a própria lei a retirar essa possibilidade de apoio a agregados familiares com rendimento mensal superior a 628,83 €.

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O IGAI queria expulsar o militar, mas a Ministra da Administração Interna decidiu por uma suspensão. Mas a Senhora Ministra nem sequer deveria ter colocado em questão nenhuma das duas hipóteses, pois ele estava ao serviço da GNR quando tudo aconteceu e nunca deveria ter sido o militar a pagar a sua defesa, mas sim a própria instituição que ele estava a representar.

E já agora, o pai da criança que acabou por falecer deveria também ter sido julgado por ter colocado em risco a vida do filho, tanto quando o levou para o assalto, como quando o transportou na viatura durante a perseguição policial, sem se preocupar minimamente com a segurança do mesmo.

Porque é que ele não foi julgado por isso? Pois, é que se ele tivesse sido julgado e condenado por ter colocado a vida do filho em risco, o militar da GNR era absolvido obrigatoriamente!

  #Causas #Polícia