No dia 9 de Março de 2002, numa quinta em Palmela, Setúbal, José Fernandes e o seu pai, o proprietário da mesma, aperceberam-se da presença de assaltantes com o intuito de roubarem gado. Logo de seguida ligaram para o posto da #GNR de Palmela para pedir ajuda. De imediato a GNR enviou para o local dois militares desse posto e ainda mais três guardas do Núcleo de Investigação Criminal (NIC) da GNR à paisana.

Mas enquanto aguardavam a chegada das autoridades, pai e filho resolveram, por iniciativa própria, ir procurando os suspeitos. Dividiram-se e foram os dois para zonas distintas à procura dos assaltantes.

Enquanto José prosseguia a sua busca, o pai informou-o que o carro patrulha da GNR já se encontrava à entrada da quinta, pelo que logo se pôs a caminho para esse local.

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Mas durante esse trajecto deparou -se com os militares da GNR pertencentes ao NIC, que iam a pé e à civil. Os militares deram-lhe ordem para parar e identificaram-se como sendo da GNR, mas, como não se encontravam fardados, o condutor não acreditou. Julgou que eram eles os assaltantes de gado, acelerou o carro e não parou, desrespeitando assim a ordem policial.

Seguidamente os agentes de autoridade atiraram 4 vezes para a viatura em fuga e, infelizmente, o condutor foi alvejado na zona abdominal. Após tratamento médico e cirúrgico, acabou mesmo por ficar sem parte dos intestinos e com incapacidade permanente de 30%.

Mas ontem (18 de setembro), 14 anos depois de tudo ter acontecido, conforme se pode ler na edição do Correio da Manhã, o Estado português foi condenado pelo Tribunal Central Administrativo (TCA) do Sul a indemnizar a vítima com o valor de 66 mil euros.

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Quanto aos militares da GNR envolvidos, acabaram ilibados do pagamento de qualquer indemnização.

Mais uma vez, os militares da GNR acabam por balear uma pessoa no cumprimento do dever. Mas, da mesma forma, uma pessoa foi atingida porque não respeitou uma ordem policial e se colocou em fuga!

Muitas são as situações que infelizmente terminam de forma trágica, por desrespeito a ordens dadas por agentes de autoridade. #Justiça #Polícia