Hoje vim falar-vos sobre “pessoas”. Sim, de pessoas. Numa revisão diária pelos principais jornais portugueses, constatei que o facto mais repetido foi o “divórcio do ano”. Parece que a vida conjunta de Mr. e Mrs Smith terminou. O fim para Brad Pitt e Angelina Jolie. O início para a comunicação social. Para Cláudio Ramos. E para os programas da tarde.

Talvez repita as palavras “pessoas” e “vida” várias vezes. Porque de facto existe já, por exemplo, no Jornal de Notícias, um setor dedicado à vida das pessoas, ou até mesmo à vida dos “famosos”, no caso do Correio da Manhã. Parece que os programas da tarde existem em versão escrita.

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Mas voltando ao tema do divórcio. Acho que descobri a pólvora e resolvi o mistério: “ver televisão ajuda a melhorar a relação amorosa”, lê-se no Jornal Sol. 

Então, Angelina e Brad? Parece que se desleixaram. Mais um bocadinho de leitura pelos media portugueses. E uma vista de olhos na televisão. Se não for pedir muito. 

Alguns assuntos continuam na agenda, é verdade: política, economia, desporto, cultura. Mas o critério mudou. Além de todas as notícias lançadas, há sempre o drama inerente: seja as declarações de Bruno de Carvalho no Facebook, seja os ataques de António Costa, seja Cristiano Ronaldo com nova namorada. O conceito de jornalismo tem vindo a ser alterado. Abandonou-se o domínio da qualidade para entrar no domínio da quantidade: o importante é quantas pessoas leem ou compram. Nem que para isso o Correio da Manhã invada celebrações fúnebres de crianças.

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É o novo valor notícia do mundo contemporâneo.

Com a crise em cima da mesa, os media entraram em época de saldos: lê um artigo e em troca oferecemos dois mexericos transformados em notícias. Além disso, verifica-se uma nova tendência que promete prolongar-se por todas as estações: tornar a comunicação social numa espécie de tertúlia cor-de-rosa, onde todos os assuntos sobre a vida alheia são debatidos e comentados. Para mais informações sobre esta matéria, é falar com José António Saraiva. #Entretenimento #Causas #Imprensa