Muito antes de Prison Break e dos Condenados de Shawhank, a fuga da prisão ainda era um tema mito, pouco falado e muito imaginado, definitivamente impossível e longínquo na vida real. Henri Charrière mudou o jogo e fez história quando em 1969 contou ao mundo quem foi Papillon.

Uma narrativa impactante e sem igual dum homem que viu a mais temível prisão da Guiana Francesa ser a sua casa até ao resto dos seus dias. A Ilha do Diabo, denominada de acordo com a sua fama, estava estrategicamente situada entre florestas e águas com tubarões.

Lendo fora do contexto, qualquer pessoa toma esta aventura por uma cadeia de peripécias cativantes que perfazem um bom romance, um bom "filme".

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No entanto, a nossa atenção muda quando tomamos conhecimento de que se trata de uma história verdadeira contada na primeira pessoa. É a magia do verídico. Todas as vidas à nossa volta tornam-se simultaneamente aborrecidas; está-se perante uma história positivamente perturbadora e certamente inesquecível.

Não se trata do relato duma qualquer evasão, trata-se da história de uma fuga (ou de várias) que durante 12 anos constituíram a vida de Henri Charriére, um condenado francês alegadamente inocente que escapa dos mais perigosos presídios da América do Sul. Qual é, na verdade, o condenado que não é inocente?

Para além da detalhada descrição das suas fugas e tentativas da mesma, o livro conta ainda os diversos episódios que este homem viveu até se ver em liberdade. Gostava de escrever sobre essas pequenas grandes aventuras mas não vou ser spoiler porque este aqui é de leitura obrigatória.

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É daqueles #Livros que nos faz acreditar nos homens maus e querer desesperadamente que vinguem.

Após a sua publicação, surgiu uma grande polémica em torno do verdadeiro protagonista. Existem acusações de que Charrière apenas participou numa das fugas e não foi o protagonista da obra, tendo-a roubado a outro condenado, ou não fosse esta uma incrível história de bandidos. Tanto quanto se sabe, o verdadeiro fugitivo tinha uma borboleta (papillon) tatuada no peito. Ou não teria? #Literatura