Três simples “gostos” num comentário duma publicação numa rede social (Facebook), colocados por três agentes da PSP, resultaram em processos judiciais. A publicação, relativa a uma notícia sobre o Corpo de Segurança Pessoal (#CSP), tinha sido partilhada da página do Facebook do “Observador” e comentada por alguém não identificado no processo em questão.

E já agora, porque se fala aqui do CSP, convém informar a quem não sabe, de que se trata de uma força especialmente preparada e vocacionada para a segurança pessoal de altas entidades, membros de órgãos de soberania, protecção policial de testemunhas ou outros cidadãos sujeitos a ameaça, no âmbito das atribuições da PSP. 

Comentário esse, que numa primeira parte, era elogioso para o trabalho realizado pelos membros do CSP, mas numa segunda parte afirmava que o "curso e lugar de número dois" tinham sido "dados de bandeja" à respectiva comissária, e a quem, ainda por cima, chamava de “incompetente e arrogante”.

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Na edição de hoje (26 de Setembro) do DN, podemos confirmar que a visada terá mesmo efectuado uma participação contra os três agentes da PSP, e estes foram efectivamente acusados.

E o autor do comentário em questão deveria ter sido confrontado e questionado sobre os seus motivos, para ter escrito o que escreveu!

O Núcleo de Deontologia e Disciplina da PSP acusou os agentes de “falta de lealdade” por não terem avisado a PSP da existência de tal comentário, e afirmou ainda que eles nunca deveria ter colocado “gosto” em tal comentário.

Mas até que ponto um simples "gosto" pode representar uma falta de lealdade? Todos nós podemos gostar ou não de algo ou de alguém, mas nem por isso estamos a ser desleais com alguém.

Os 3 agentes da PSP envolvidos, um oficial e dois agentes, já recorreram da acusação do Núcleo de Deontologia e Disciplina da PSP e aguardam agora mais desenvolvimentos.

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E relativamente ao conceito de liberdade de expressão, já Augusto Branco, um conhecido autor, afirmou que as pessoas sempre gostaram do ideal de liberdade de expressão, mas somente até ao momento em que começaram a ouvir aquilo que não gostariam que dissessem a respeito delas. #Polícia #Direitos