Nunca tanto se falou do Prémio Nobel da Literatura como este ano. Na minha opinião, para se definir como justa ou injusta a distinção, há que perceber o critério com que o mesmo foi atribuído. E critério é a palavra-chave. No caso, parece-me que o critério foi bastante amplo.

Ora, ter um critério amplo pressupõe englobarmos novas formas alternativas de #Literatura. Que também fazem parte da literatura. No caso, a poesia musical. E, ao definirmos a poesia musical no nosso alcance, entramos no campo da qualidade. Que, no caso de #bob dylan, é inquestionável. Letras como “Like a Rolling Stone”, “Tangled Up in Blue” ou “All Along the Watchtower” são escritos, imagens e sons de estados de alma.

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Que depois são cantados. Mas, caso não o fossem, poderiam ser também classificados como exemplos de literatura de grande nível.

É claro que a escolha da Academia #nobel não foi de todo ingénua. Nem parva. Pois, malgrado a justiça de atribuição do galardão a nomes como Thomas Tranströmer, Doris Lessing ou Naguib Mahfouz, certo é que nenhum deles tem o mediatismo que Dylan tem. Houve uma intenção que ultrapassou a própria necessidade de recompensa do trabalho literário.

Agora, toda a gente fala do Nobel da Literatura. Um prémio que, diga-se, serve como reconhecimento e também como tónico e incentivo para que existam mais autores. De qualidade. Para isso, o nome de Dylan encaixa que nem uma luva: é multiconhecido, tem um trabalho de grande qualidade e permite publicidade gratuita. Até quando não atende o telefone e ignora o prémio.

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Acredito que a atribuição deste prémio seguirá o processo normal nos próximos anos: o reconhecimento de grandes escritores no formato “tradicional”. Há muito por onde escolher. Há muito critério para definir. Há muita zona do globo para percorrer. Há muito para ler nos cinco continentes. Agora, o Nobel da Literatura nunca mais será o mesmo pós-Dylan. E quem se seguir a Dylan terá os holofotes em si centrados por muito “Tranströmer” – um fantástico poeta, diga-se – que seja. Haja cor!