Foi o dilema de Nuno Espírito Santo. Optar pela consolidação do 4x4x2 mais propenso ao êxito nas competições nacionais (que ocupa a maior parte do calendário) ou então jogar em função do adversário e aniquilar facilmente o Club Bruges através da exploração dos flancos. O que fazer?

Nuno optou por uma espécie de solução “50-50”. Ou seja, continuar um caminho que implica o 4x4x2 e, ao mesmo tempo, fazer um seguro a meio do jogo, seguro esse chamado Brahimi e Corona. O pensamento do treinador portista não é censurável. Tem lógica. Faz sentido. As substituições pareceram ter sido realizadas de acordo com um estudo prévio, de análise detalhada.

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O que estranhou foi a demora na realização das mesmas.

Nuno esticou a corda até ao máximo e corda que estica também é corda que rebenta. Felizmente para o FC Porto, aguentou-se até ao limite. Um FC Porto que tem em Layún um dos seus principais pontos de desequilíbrio. Sendo ele lateral, o desequilíbrio veste maioritariamente a sua pele má. Um FC Porto que tem problemas a sair a jogar através dos centrais. Todavia, as horas extra a que Corona tem vindo a ser submetido parecem fazer sentido. Nuno quer que o mexicano se adapte ao 4x4x2, pois a sua utilização mais regular dará a tónica de desequilíbrio de que a equipa carece, para além de ser um jogador com características diferentes num meio-campo de elementos muito idênticos. Nuno quer que Corona jogue.

Tal como Jorge Jesus quer que Schellotto e Markovic joguem.

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Especialmente este último. Markovic ainda é um risco muito grande. Com Markovic em campo, o Sporting ganha algo que precisa, ou seja, a profundidade nas costas dos centrais. Uma nova arma para pressionar o adversário, sobretudo numa equipa que vive muito do cruzamento para o segundo poste, que Bas Dost ainda não interpreta tão bem como Slimani mas ainda assim consegue obter “razoável” no teste.

Mas Markovic ainda não é o mesmo que deslumbrou no Benfica. Parece viver uma segunda vida sombria. Desligado do jogo, individualizado, interpretando as instruções de uma forma demasiado instintiva e menos racional. Depois, o jogo frente ao Dortmund tornou-se difícil nos primeiros minutos de jogo. Dar profundidade a Aubameyang é um perfeito suicídio. Fruto de um conjunto de falhas do miolo verde e branco, o avançado franco-gabonês desfrutou de uma situação de 1x1 frente a um desamparado Rúben Semedo. Estava dado o mote para Weigl brilhar: o jovem alemão é o cérebro de uma equipa alemã que, hoje em dia, é uma das melhores da Europa.

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O triunfo do Benfica

o Benfica ganhou com alguma naturalidade. Problema resolvido: entrou Luisão, acabaram-se os golos de cabeça dos adversários. Laterais mais protegidos pelo ar. Depois, o Benfica até que nem deslumbrou e continua a padecer da ausência de Jonas, sobretudo no que diz respeito aos aspectos “invisíveis” que o brasileiro traz ao jogo, potenciando melhores exibições dos colegas. Seja como for, o jogo de Kiev ficou marcado por alguma passividade dos ucranianos a defender. A equipa até se soube posicionar, mas os jogadores do Benfica conseguiram fazer duas coisas que se revelaram fundamentais: em primeiro lugar a superioridade através das movimentações, com Sálvio e Cervi em evidência; depois, uma alta eficácia nos duelos “individuais”, muitas das vezes com os encarnados a ganharem situações de 1x2 e 1x3.

Houve falhas defensivas dos encarnados. Houve. Sobretudo numa espécie de cratera que se gerou entre defesa e miolo. Nas bolas paradas, ainda assim. Mas os méritos valeram mais que as imperfeições. E o Benfica acabou por vencer de forma natural num grupo de qualificação onde o Besiktas surpreende não tanto pela qualidade da equipa, mas mais pela astúcia do treinador Senol Gunes.

Qualidade, noutra escala obviamente, tem a equipa do Gafanha. Atrevo-me a dizer que a equipa do Gafanha ganharia à equipa de Andorra. Um bom exemplo de como a organização pode ser transversal e o trabalho pode ser determinante. Mesmo derrotado, o Gafanha fez Taça de Portugal! #Futebol #F.C.Porto #Liga dos Campeões