A conferência de imprensa de Nuno Espírito Santo. Ou melhor, a história do quadro da conferência de imprensa. Nestas coisas eu sou como Poirot: os pormenores dizem muito mais do que os grandes discursos ou os grandes gestos. Porque os pormenores são irrefletidos e mostram o que realmente se esconde por detrás das pessoas. No desporto como em tudo na vida. Sim. Porque também duvido que a dita representação do “jogador à Porto” seja muito diferente daquela que é personificada noutros casos.

Ou seja, na minha opinião, Nuno nem falou para os jornalistas nem para os jogadores. Falou para o público. Quis agarrá-lo. Porque o FC Porto tem potencial para chegar aos títulos, mas precisa que se gere uma onda positiva.

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Uma onda una e imparável.

E os pormenores vêem-se. Na celebração do golo de quem não o marcou, no diálogo entre os jogadores, na reação à desvantagem. Neste último ponto, sobretudo. Vê-se um FC Porto diferente, de facto. Vê-se um FC Porto que sabe aquilo que quer, um FC Porto cujos jogadores vão assimilando o 4x4x2 como sistema de referência para o êxito no campeonato português. Um FC Porto que vai estabilizando o seu miolo e vai potenciando Corona como seu principal ponto de desequilíbrio. Um FC Porto onde os laterais vão melhorando o seu desempenho. E a questão do campeonato português é mesmo lateral. Está na frente a equipa cujos laterais têm tido melhor desempenho.

Benfica e Sporting

Nélson Semedo e Grimaldo. O #Benfica. No 4x4x2 os laterais assumem um duplo papel de referência: na construção organizada e desequilíbrio ofensivo e na recuperação desse equilíbrio na retaguarda.

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Até porque, recorrendo às estatísticas, a percentagem de posse de bola é muito idêntica nos três grandes: FC Porto com 59%, Benfica com 58% e #Sporting com 57%. O que faz a diferença é a qualidade dessa construção e da mobilidade ofensiva que o Benfica tenta construir não tendo Jonas mas tendo Cervi, que vai mostrando fluidez a derivar para o corredor central e desequilibrar; Gonçalo Guedes, a pender para os flancos e a não se dar à marcação; Sálvio eficiente na posse; Mitroglou a segurar e a aparecer no timing certo na zona de finalização. Depois, o herói invisível: Pizzi. O jogador que tudo percebe, que raramente falha um passe e que potencia o seu rendimento e o dos seus colegas. O Benfica não é a equipa perfeita. Tem tido problemas e algum azar, inclusive. Mas tem tido um treinador com uma forte imagem de marca, que prefere os pequenos problemas (falta de velocidade de Luisão, por exemplo) aos grandes (golos sofridos de bola parada em catadupa).

A palavra “catadupa” ilustra bem o que se passou em Alvalade.

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Ao nível dos cruzamentos e dos erros individuais. O Tondela jogou bem mas, ainda assim, as falhas foram muitas. Houve muito espaço concedido, mas pouca bola nesse mesmo espaço letal. Se a ausência de Slimani se faz sentir na conquista da profundidade na frente de ataque (Bas Dost interpreta bem a presença no segundo poste mas falta-lhe o resto), o problema do Sporting vai-se tornando agudo na exploração do jogo interior. Demasiado débil. Para mim, mais vale um Markovic sombrio em campo do que um Markovic no banco. Depois, cruza-se mal para os lados de Alvalade. Anarquicamente. Sem critério. E o Sporting continua a sofrer muitos golos de cruzamento pelo chão, o que não deixa de ser curioso: na época passada o que afligia o Sporting eram os cruzamentos pelo ar.

Destaque também para a conquista do “Golden Boy” por parte de Renato Sanches, que há cerca de um ano estava no Benfica B! Também André Silva, do FC Porto, passou grande parte do tempo na equipa B. Mais do que a criação das equipas secundárias, há que destacar a participação na II Liga. Mais competitiva, organizada. Exigente. O “Golden Boy” é também do Portimonense, do Varzim, do Vizela. E de quem pensou que a transição de júnior tinha de ser feita de modo diferente. Boa medida! #F.C.Porto